Faz parte da rotina diária de uma propriedade rural a limpeza e manutenção da moega e dos silos, locais usados para descarga e armazenagem de grãos. O que pouca gente sabe é que esses espaços são alguns dos mais perigosos em uma fazenda. Por serem áreas de difícil acesso e por terem problemas de ventilação, oferecem riscos aos seres humanos.
“O trabalho em espaço confinado, por sua natureza, já é um trabalho de risco. É um trabalho que acontece bastante acidente com os trabalhadores e exige vários procedimentos antes da entrada, durante a entrada e pós-entrada. Esses procedimentos são estabelecidos pela Norma Regulamentadora 33”, explica o instrutor credenciado junto ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT), Marcel Santana.
Nos Estados Unidos ocorrem a cada ano 300 acidentes com mortes em ambientes confinados. O Ministério do Trabalho não dispõe de dados similares no Brasil, mas é sabido que Mato Grosso registra um grande percentual dessas ocorrências.
No ano passado, em Jaciara, dois funcionários morreram vítimas desse tipo de acidente. Preocupados com isso, os produtores estão tentando se adequar à nova legislação e encontram nos cursos do Senar-MT um aliado.
“Diante dos níveis dos acidentes de trabalho que temos no setor agropecuário brasileiro, o Ministério do Trabalho vem cobrando os agricultores para que seus trabalhadores rurais façam cursos. O foco principal é para que ele aprenda a se prevenir. O nosso objetivo é dar mais saúde e segurança ao trabalhador”, comenta o superintendente do Senar-MT, Tiago Mattosinho.
Entre dezembro e janeiro, Marcel Santana já realizou sete cursos sobre esse tema. Nas aulas, ele reforça as medidas de segurança que devem ser tomadas.
“A principal dúvida é não saber trabalhar de acordo com a NR-33, que é sobre saúde e segurança do trabalho em espaços confinados. Também temos os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) obrigatórios. Existem os EPIs para entrar em ambiente confinado, existe EPIs complementares, estabelecidos pelo técnico de segurança do trabalho”, ressalta Satana.
Na opinião do técnico, a maior parte dos acidentes ocorre por negligência e imprudência. Para ele é fundamental que uma propriedade tenha à disposição os EPIs. São obrigatórios: capacete, óculos, máscaras, luvas, rádio, mosquetões, cordas e um cinto de paraquedista, para caso de resgate e mais o detector de gás.
“O detector de gás é um procedimento de rotina antes de entrar no espaço confinado. Ou seja, existe um profissional que vai medir a atmosfera interna desse espaço. São três médias. Uma em cima, uma no meio do espaço e outra no piso. Essas medidas são anotadas na permissão de trabalho, verificando que a atmosfera está em condições para o trabalhador descer. O aparelho irá marcar a quantidade de gás sulfídrico, um gás tóxico, vai marcar a quantidade de oxigênio, nível de oxigênio, gases inflamáveis e monóxido de carbono, que é perigoso e provoca muitos acidentes”, lista o instrutor do Senar-MT.
Roberto Borges trabalha há 13 anos com esse tipi de atividade e afirma que só executa seu trabalho com total segurança. “Risco existe, mas se você usar os equipamentos corretamente e obedecer às normas de segurança do trabalho, você ameniza”, lembra o operador de máquina de beneficiamento.