Em pouco mais de um ano, a vida do jovem Elvis Maycon Cunha, 24, mudou radicalmente. Ele se qualificou, saiu da periferia da Capital mato-grossense e se fixou no interior de Mato Grosso, de onde não pretende sair tão cedo. Elvis foi um dos 15 participantes do programa Campo Aprendiz – Mecanização Agrícola, realizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MT) em parceria com a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (AMPA), empresas associadas e a Superintendência Regional de Trabalho e Emprego de Mato Grosso (SRTE-MT).
Ele conta que quando morava em Cuiabá fazia alguns ‘bicos’ para ajudar a família, mas nunca soube o que era ter a Carteira de Trabalho assinada e um salário certo no final do mês. “Esta é a primeira vez que sei o que é isto”, revela o ex-aprendiz, que assim que terminou o treinamento foi contratado pela empresa Tucunaré, do Grupo Amaggi, com sede em Sapezal, onde fez o estágio durante o programa. “Estou conseguindo ajeitar a minha vida e agora já posso até sonhar em chegar a uma faculdade”, adianta.
Já no primeiro contrato formal de trabalho Elvis conquistou um salário de R$ 1021,00 como auxiliar de mecânica. “No campo o salário rende. Não tenho gasto com moradia nem alimentação”, destaca. “A empresa mantém uma nutricionista que elabora nossos cardápios e um refeitório climatizado. Onde teria isso?”, questiona-se.
Ele conta que a família mora no bairro Pedra 90, periferia de Cuiabá, e que mesmo só vendo eles nas férias todos apoiam a decisão que tomou. “Passei muito tempo procurando emprego na cidade e não consegui nada, no campo é totalmente diferente, tive a oportunidade de conquistar uma vaga na empresa, graças à qualificação do Senar-MT”.
O supervisor de manutenção da Fazenda Tucunaré, Paulo Vicente, afirma que o desempenho de Elvis tem sido observado pela empresa. “Ele é um rapaz esforçado, com grande potencial. A empresa dá oportunidades de crescimento, entretanto conquistar seu espaço depende dele”, revela.
E no que depender de Elvis o crescimento na empresa está garantido. “Sei que a empresa quer investir em mim, me dá oportunidade de crescimento e já disse que tem uma vaga para a manutenção elétrica, vou atrás de um curso de uma qualificação e vou conseguir a promoção”, planeja.
De acordo com o presidente do Sistema Famato/Senar, Rui Prado, Mato Grosso está em pleno desenvolvimento, o que demanda mão de obra em todos os setores e aqueles setores que exigem profissionais especializados são ainda mais carentes. “Na agropecuária essa demanda é ainda mais intensa. Temos vários casos espalhados pelo Estado onde as máquinas e equipamentos agrícolas estão parados por falta de operadores. Há área para ser plantada, semente e todas as condições propícias, mas não há profissionais qualificados para operarem os equipamentos”, lembra.
O Senar-MT oferece atualmente cerca de 200 treinamentos que qualificam pessoas para as 15 cadeias produtivas prioritárias para a instituição e ainda 16 programas especiais como o Campo Aprendiz. Para o setor de soja e milho são 43 treinamentos. Dentre estes os mais demandados são os que treinam os participantes para fazer a manutenção de máquinas e implementos agrícolas e também aqueles na área de saúde e segurança no trabalho. “A maioria dos que fazem o treinamento do Senar-MT já tem emprego garantido”, enfatiza o Prado
O Senar-MT faz parte de um conjunto de entidades que formam o Sistema Famato. Essas entidades dão suporte para o desenvolvimento sustentável do agronegócio e representam os interesses dos produtores rurais do Estado. É formado ainda pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) e pelos 87 sindicatos rurais do Estado. O Senar-MT está no Facebook. Curta a Fan Page (www.facebook.com/SenarMt).