O Programa Saúde no Campo, desenvolvido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT), tem promovido mudanças na vida de produtores e suas famílias ao levar atendimento de saúde direto às propriedades rurais. Com a metodologia da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), o programa amplia o cuidado no campo ao integrar saúde, educação e qualidade de vida.
O programa está presente em 56 municípios de Mato Grosso, com o apoio de 42 Sindicatos Rurais. A partir do segundo semestre deste ano, a iniciativa será ampliada e vai alcaçar todos os Sindicatos Rurais do estado, expandindo o atendimento e fortalecendo as ações de saúde no meio rural.
A iniciativa atende famílias já acompanhadas pela ATeG, com visitas domiciliares mensais durante um período de até 24 meses. Nessas visitas, técnicos de enfermagem e enfermeiros realizam o monitoramento dos principais indicadores de saúde, como pressão arterial, glicemia, peso e índice de massa corporal (IMC), além de desenvolver ações educativas voltadas à prevenção de doenças e promoção do autocuidado.
Segundo a supervisora de Promoção Social do Senar MT, Michelle Camila de Paula, o diferencial está no olhar humanizado sobre o produtor rural. “Mais do que aferir sinais vitais, o nosso foco é a educação em saúde. A cada mês trabalhamos temas como hipertensão, diabetes, dengue e outras doenças, sempre considerando a realidade de cada família”, explica.
Outro destaque é a oferta de telessaúde, realizada em parceria entre o Senar Central e o Einstein Hospital Israelita. Por meio de videochamadas, os participantes têm acesso a consultas com clínico geral, psicólogo e pediatra, ampliando o acesso a serviços especializados mesmo em regiões mais remotas.
A presença constante dos técnicos nas propriedades cria um vínculo de confiança com as famílias, fator essencial para a adesão às orientações de saúde. O trabalho é individualizado e respeita o tempo e as necessidades de cada pessoa, o que contribui para resultados mais efetivos.
A técnica de saúde rural Edyane Vicência de Assis Kester destaca que o acompanhamento vai além de orientações pontuais. “É um processo contínuo. A gente observa, orienta, acompanha e ajusta as ações conforme a evolução de cada caso”, afirma.
Superação do tabagismo no campo
Um dos exemplos de transformação proporcionados pelo programa é a história da produtora rural dona Enil Dias de Arruda, do sítio São Pedro, em Poconé, que decidiu enfrentar o vício do tabagismo após iniciar o acompanhamento pelo programa Saúde no Campo.
Tabagista há muitos anos, dona Enil fumava cerca de 20 cigarros por dia. Durante as visitas, a técnica responsável iniciou um trabalho gradual de conscientização, sem imposições, focado na educação em saúde e no incentivo a hábitos mais saudáveis.
“Eu fumava muito e achava que não ia conseguir parar. Com as orientações e o acompanhamento, fui reduzindo aos poucos. Hoje me sinto melhor, mais disposta e com vontade de cuidar mais da minha saúde”, relata dona Enil.

A estratégia incluiu orientações sobre os malefícios do cigarro, estímulo à prática de atividades físicas e encaminhamento para acompanhamento médico e psicológico na rede pública de saúde. Mesmo diante de desafios como sintomas de abstinência, entre eles ansiedade, irritabilidade e fadiga, a produtora manteve o compromisso com a mudança.
Após seis meses de acompanhamento, os resultados foram significativos: dona Enil reduziu o consumo para cerca de três cigarros por dia, apresentou melhora nos sintomas de ansiedade e relatou mais disposição para as atividades diárias.
A técnica de saúde rural Edyane disse que o “apoio junto ao município de Poconé foi importante para viabilizar o tratamento, reforçando a integração entre o Senar MT e a rede de atendimento à saúde local. Além disse o apoio do Sindicato Rural faz nos abre portas”.



