Cursos de mecanização agrícola e manipulação de agrotóxicos são os mais procurados no Senar-MT. Em 2014, foram realizados 229 cursos que capacitaram quase três mil trabalhadores.
A qualificação de novos profissionais para o meio rural vem suprir uma constante queixa dos produtores de Mato Grosso. Somente em 2014, o Senar-MT atendeu mais de três mil trabalhadores por meio de cursos profissionalizantes.
Na fazenda Guanabara, em Campo Verde, as máquinas já deveria colher soja, mas estão paradas por falta de operadores. "Mato Grosso cresceu mais que a população. Todo dia abre área no Estado e a dificuldade que temos é essa daí. Tinha que abrir áreas e ter funcionários. O problema é que não tem funcionários suficientes. Temos que trazer de fora", comenta o produtor rural Vilson Paulo dos Reis. Ele já trouxe mais de 40 profissionais do Paraná, para trabalharem na área de 10 mil hectares, onde cultiva soja e algodão.
O operador de colheitadeira, Adão Lopes dos Santos, chegou há poucos meses no município. Veio do Maranhão em busca de oportunidade de trabalho. " Está sendo muito bom de emprego, graças a Deus. Para mim, Mato Grosso é uma maravilha ", comemora.
Nesta região faltam operadores de máquinas agrícolas, eletricistas e mecânicos. Mesmo com uma média salarial boa. " Operador de máquina é R$ 3.000. Para fazer a manutenção de máquinas é R$ 6.000. E mesmo assim não conseguimos", comenta Reis.
Tecnologia no campo necessita de mão de obra qualificada –Os cursos de mecanização agrícola são os mais procurados no Senar-MT. Em 2014, foram realizados 229 cursos que capacitaram quase três mil trabalhadores. As aulas preferidas pelos alunos são de manutenção e operação de tratores, aplicação de agrotóxico com autopropelido.
"O diferencial do Senar é que a gente capacita o trabalhador na prática, utilizando as máquinas. O trabalhador tem toda a consciência de como funciona uma máquina e como ele deve proceder para garantir vida útil dessa máquina e melhorar o desempenho", reforça a gerente de Educação Profissional Rural do Senar-MT, Tatiane Perondi.
Na Agropecuária Jerusalém, em Água Boa, leste de Mato Grosso, 13 funcionários já participaram dos cursos do Senar-MT. Foram incentivados pelo agrônomo da fazenda, Felipe Zmijevski, já que a região vive um processo de transição da pecuária para agricultura e faltam empregados.
“Acho que 100% dos funcionários já têm algum tipo de qualificação proposto pelo Senar. Alguns mais e outros menos. Dependendo da função, operador de autopropelido tem mais que um curso. Operador de agrotóxicos também”, diz o agrônomo.
O funcionário da fazenda, Edmilson Farias, trabalha com o preparo de produtos químicos. Ele fez o curso de manipulação de agrotóxicos no Senar-MT e hoje não descuida do que aprendeu na hora de mexer com os defensivos. "Antes, a gente não conhecia e nem sabia o que era agrotóxico. Depois do curso, abrimos a mente e aprendemos bastante ", comemora Farias.
Programa de Sucessão Familiar do Senar-MT orienta jovens do meio rural – A maior queixa de quem fez os cursos de qualificação é que a remuneração não melhorou. "A gente ainda não tem um diferencial de salário para nossos funcionários, mas eu acho que o diferencial para ele é o reconhecimento que tem a oportunidade de se qualificar, tanto para a gente quanto para um futuro emprego", explica o agrônomo da Agropecuária Jerusalém.
O próximo objetivo do Senar-MT é criar um banco de dados de profissionais com qualificação para trabalhar em propriedades rurais. Basta o produtor ir ao Sindicato Rural de sua cidade e solicitar determinada mão-de-obra. Porém, o projeto está em desenvolvimento.