Produtores e presidentes de Sindicatos Rurais de Mato Grosso conheceram nesta segunda-feira (18), no Nebraska, pesquisas aplicadas sobre uso de água, manejo de nitrogênio, sequestro de carbono, pastagens e pecuária de corte. A visita ocorreu na Eastern Nebraska Research, Extension and Education Center (ENREEC), ligada à Universidade de Nebraska-Lincoln, um centro de pesquisa e extensão da Universidade de Nebraska-Lincoln, dentro da programação da Missão Técnica EUA 2026.
A agenda marcou a entrada da comitiva no bloco técnico do Nebraska, dedicado à água aplicada à agropecuária, à integração entre lavoura e pecuária e ao uso de dados na tomada de decisão. Ao longo do dia, o grupo acompanhou estudos em confinamento, áreas agrícolas, irrigação, manejo de fertilizantes, monitoramento ambiental e tecnologias digitais.
Durante a visita, foram apresentadas estruturas voltadas à nutrição, ambiência, manejo, bem-estar animal e avaliação ambiental em sistemas de confinamento. Nos galpões experimentais, os participantes conheceram tecnologias capazes de medir o consumo individual dos animais, o tempo de permanência no cocho e o comportamento por câmeras. O sistema permite testar diferentes dietas e tratamentos no mesmo ambiente, com dados quase em tempo real sobre cada animal.

A presença de brasileiros na equipe da universidade também chamou atenção do grupo. Estudantes e profissionais formados no Brasil participam das pesquisas em nutrição, manejo e confinamento, ajudando a aproximar ainda mais a experiência vista no Nebraska da realidade do agro brasileiro.
Outro ponto destacado foi a forma como a universidade transforma demandas do campo em pesquisa prática. Os estudos são realizados em escala próxima da realidade produtiva e envolvem temas como desempenho animal, tipos de piso, conforto térmico, manejo de resíduos, alimentação e impacto ambiental.
Os professores também explicaram que os resultados das pesquisas são públicos, mesmo quando envolvem empresas parceiras. “Se uma empresa traz um produto para ser testado e o resultado não é o esperado, esse resultado também é publicado”, afirmou Joshua Benton, pesquisador associado de pós-doutorado em Ciência Animal.
À tarde, o grupo acompanhou a apresentação do micrometeorologista Andy Suyker, da Escola de Recursos Naturais, sobre os estudos de sequestro de carbono. Ele explicou que os equipamentos instalados no campo monitoram velocidade do vento, concentração de carbono e vapor d’água, permitindo acompanhar o balanço de carbono ao longo do tempo. “Os instrumentos medem continuamente o fluxo de carbono e de vapor d’água”, explicou.
Suyker destacou ainda que algumas áreas são acompanhadas há cerca de 25 anos. Segundo ele, esse histórico permite avaliar se o sistema agrícola ganhou ou perdeu carbono em cada ciclo. Quando há cultura verde em pleno desenvolvimento, a fotossíntese aumenta a absorção de carbono; em períodos sem cobertura ativa, o solo tende a emitir carbono pela decomposição da matéria orgânica.

Na etapa dedicada à tecnologia agrícola, Tyler Smith apresentou ferramentas de manejo de irrigação e nitrogênio baseadas em imagens de satélite, controle de pivôs e integração com equipamentos de aplicação. A plataforma permite gerar recomendações para a adubação do milho e enviar mapas diretamente aos equipamentos usados em campo. “Em alguns anos, conseguimos reduzir até 50% da adubação sem observar queda de produtividade”, afirmou Smith, segundo a tradução registrada durante a visita.
A pesquisadora em Ciência do Solo do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), Ariel Freidenreich, PhD, apresentou experimentos com irrigação por gotejamento subterrâneo, fertirrigação e rotação de culturas. Nos testes, as linhas de gotejo são instaladas abaixo da superfície do solo, permitindo aplicação localizada de água e nutrientes conforme a necessidade das culturas.
Para o presidente do Sistema Famato, Vilmondes Tomain, a experiência mostrou que muitos dos modelos observados no Nebraska podem ser adaptados à realidade de Mato Grosso, especialmente nas áreas de irrigação, uso racional de fertilizantes, integração lavoura-pecuária, manejo de resíduos, ambiência animal e pesquisa aplicada à produção.

“O que vimos aqui não é uma realidade distante de Mato Grosso. Muita coisa pode ser adaptada e replicada nas nossas propriedades, respeitando clima, solo e sistema produtivo. O ponto mais importante é o modelo de cooperação. Quando universidade, governo, empresas e produtores trabalham juntos, a pesquisa ganha escala, capta recursos, desenvolve novas tecnologias e entrega solução prática para quem está no campo. Esse é um caminho que precisamos fortalecer cada vez mais no nosso estado”, destacou Vilmondes.
A agenda no Nebraska segue nesta terça-feira (19), com visita ao campus da Universidade de Nebraska-Lincoln e ao instituto da universidade voltado a estudos sobre água, alimentos e produção agropecuária.


















