A Missão Técnica EUA 2026 do Sistema Famato/Senar MT iniciou, na segunda-feira (11), a agenda de visitas técnicas nos Estados Unidos com uma programação na Tarleton State University, em Stephenville, no Texas. A comitiva, formada por presidentes de sindicatos rurais, lideranças do setor produtivo e produtores de Mato Grosso, conheceu estruturas voltadas à formação profissional, pesquisa aplicada e produção agropecuária.
A visita teve como foco o modelo norte-americano de ensino integrado à prática no campo. Na universidade, os participantes acompanharam atividades ligadas à ciência animal, pecuária de corte, avaliação de carne, produção leiteira, nutrição animal e gestão de unidades experimentais. O grupo observou de perto como os estudantes participam das rotinas produtivas desde o início da formação acadêmica.
Para o presidente do Sistema Famato, Vilmondes Tomain, a experiência mostrou um formato de ensino em que o aluno assume responsabilidades práticas dentro da universidade.
“Vimos um exemplo de universidade que valoriza muito a atuação do estudante. Aqui, o aluno coloca a mão na massa, trabalha, participa da gestão e desenvolve atividades diretamente ligadas à área em que está sendo formado. É um modelo com disciplina, responsabilidade e menos burocracia. A universidade dá condições para que o profissional saia preparado”, destacou.
Segundo Vilmondes, a primeira visita técnica já trouxe referências importantes para Mato Grosso, especialmente na relação entre educação, pesquisa e produção rural.
“Esse conhecimento precisa voltar para os sindicatos, para os produtores e para os filhos dos produtores. A Tarleton abriu as portas, mostrou sua estrutura e nos deu uma grande contribuição logo no primeiro dia da missão”, afirmou.

A comitiva foi recebida por Kimberly Wellmann, Ph.D., professora assistente em Zootecnia e especialista em bovinos de corte. Ela explicou que a universidade mantém uma relação próxima com produtores rurais, escolas e comunidades da região, promovendo visitas, eventos técnicos e experiências educacionais.
“Trabalhamos de forma próxima com a comunidade para oferecer experiências educacionais. Recebemos produtores para conhecer a estrutura, fazer perguntas e discutir práticas relacionadas à garantia da qualidade da carne bovina. Também recebemos estudantes do ensino fundamental e médio em eventos ligados à agricultura e à pecuária”, explicou.
De acordo com Kimberly, muitos estudantes ingressam no curso de Ciência Animal com interesse inicial em medicina veterinária, mas, ao longo da formação, passam a conhecer outras possibilidades profissionais dentro do agronegócio.
“Cerca de 80% dos nossos alunos chegam pensando em seguir carreira veterinária. Nosso papel é apresentar outras áreas, como ciência da carne, produção de bovinos de corte, nutrição, reprodução, equinos, suínos e produção leiteira. Queremos que eles compreendam melhor o que é necessário para alimentar os Estados Unidos e contribuir com a produção de alimentos no mundo”, completou.
Durante a visita, a qualidade da carne e a integração entre genética, nutrição e manejo chamaram a atenção dos participantes. O presidente do Sindicato Rural de Campo Verde, Rodrigo Minuzzi, que também trabalha com animais da raça Angus no Brasil, destacou a proximidade entre o padrão observado no Texas e a produção desenvolvida em Mato Grosso.
“É interessante ver a qualidade da carne produzida aqui, principalmente com Angus, que é o mesmo tipo de gado que trabalhamos na fazenda. O marmoreio observado nos cortes é muito semelhante ao que buscamos na nossa produção. Também vimos pontos importantes na parte de ração e manejo, que podem ser estudados para aplicação na propriedade”, afirmou.
Na área de produção leiteira, o presidente do Sindicato Rural de Ribeirão Cascalheira, Gilberto Paula, ressaltou o uso de tecnologia e informação para aumentar a produtividade por animal. A comitiva conheceu uma fazenda experimental com sistema de ordenha tecnificado e acompanhamento de desempenho.
“O que mais chamou a atenção foi a informatização da ordenha e a busca por maior produtividade. Vimos uma estrutura com três ordenhas por dia e produção em torno de 50 litros por vaca/dia. Isso serve de exemplo para levarmos ao nosso município, ao nosso estado e ao Brasil”, disse.

Para Gilberto, a missão também contribui para fortalecer o trabalho dos sindicatos rurais e da assistência técnica junto aos produtores.
“Quando a Famato traz os presidentes para conhecer essa realidade, permite que esse conhecimento seja repassado aos técnicos e aos produtores assistidos. É uma forma de mostrar que vale a pena investir em tecnologia, melhorar a produção e buscar mais renda dentro da propriedade”, avaliou.
A programação na Tarleton State University também proporcionou o encontro com estudantes brasileiras que desenvolvem pesquisas na instituição. Uma delas é Yasmin Machado Barreto, médica veterinária formada pela Universidade Federal de Goiás e mestranda no Texas. O estudo dela avalia alternativas alimentares para reduzir o uso de insumos que exigem maior volume de irrigação.

“Minha pesquisa trabalha com a utilização de silagem de sorgo em substituição parcial à silagem de milho, que demanda muita irrigação. Também avaliamos o uso de coprodutos da indústria de etanol de milho para substituir o feno de alfafa. Aqui no Texas existe uma preocupação grande com a escassez de água, especialmente em áreas relacionadas ao aquífero Ogallala”, explicou.
Yasmin destacou que os investimentos em pesquisa aplicada e tecnologia nos Estados Unidos podem gerar aprendizados para a agropecuária brasileira.
“No Brasil também temos muitas pesquisas e universidades produzindo conhecimento, mas aqui há um investimento muito forte em tecnologia e pesquisa aplicada. Acredito que esses estudos podem trazer benefícios para a agropecuária brasileira”, afirmou.

A Missão Técnica EUA 2026 do Sistema Famato/Senar MT segue com agenda no Texas e em Nebraska. Ao longo da programação, o grupo visitará universidades, centros de pesquisa, fazendas, empresas de genética e estruturas voltadas à produção de bovinos de corte, pecuária leiteira, manejo de água, nutrição, reprodução e desempenho produtivo.
O objetivo é conhecer práticas, tecnologias e modelos de gestão que possam ser avaliados e adaptados à realidade dos produtores de Mato Grosso.









