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Você sabia?

1- A retirada da vacinação contra a Febre Aftosa é uma grande oportunidade para o Brasil fortalecer o seu serviço de defesa estadual e também todo sistema de vigilância em saúde animal. E quem ganha com isso?

Em primeiro lugar, com certeza, o produtor rural.

Um sistema de vigilância animal forte é sinônimo de segurança, o que impede a entrada e a disseminação de doença no Brasil, ou seja, evita prejuízo direto ao produtor.

O país livre das doenças consideradas graves pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) possibilita o aumento da procura por nossos produtos que, com segurança alimentar, têm passaporte livre para entrar em todos os mercados. Como resultado disso temos o reconhecimento internacional de que aqui a produção de alimento está em outro patamar. Somos competitivos porque produzimos em grandes volumes, mas somos bons porque produzimos com responsabilidade e entregamos um alimento seguro e de qualidade para a sociedade.

A partir dessa visão é importante que os produtores compreendam o seu papel como membro da sociedade, que passem a trabalhar de forma ativa para que o negócio continue prosperando. Defesa sanitária não é um problema do estado, mas sim de todos nós.

2- Você sabia que a retirada da vacinação contra a febre aftosa segue uma rigorosa avaliação técnica definida por organização internacional? E que essa avaliação é feita pelo MAPA, INDEA e apoiada pela iniciativa privada de Mato Grosso?

Para avaliar se há circulação viral e consequentemente risco de novos focos são realizados estudos soroepidemiológicos em propriedades rurais com bovinos em determinados períodos. Os estudos são ferramentas que comprovam que não há circulação do vírus, portanto isso garante segurança na tomada de decisão para suspender a vacinação.

3- Para complementar as ações de defesa sanitária no Estado, os produtores podem contar com o Fesa-MT (Fundo Emergencial de Saúde Animal do Estado de Mato Grosso). O que isso significa na prática para os produtores?

O Fesa-MT é uma associação civil sem fins lucrativos que tem por objetivo receber, administrar e aplicar os recursos financeiros em ações de defesa sanitária animal. Por isso é um grande parceiro dos produtores e do Indea. No último ano, o Fesa vem promovendo algumas ações como:

Reforma e readequação das unidades de atendimento do Indea, garantindo assim maior conforto e comodidade aos produtores.
Locação e manutenção de veículos para que o Indea faça os atendimentos aos produtores.
Implantação e Aperfeiçoamento dos sistemas informatizados do Indea, por exemplo, a possibilidade da emissão da GTA eletrônica feita pelo produtor.
Na faixa de fronteira o Fesa auxiliou o Indea, disponibilizando veículos e diárias dos funcionários para manutenção da fiscalização.
O Fesa atua também proporcionando o envio de material biológico para exames específicos em laboratórios de referência em todo o país.
Viabiliza a capacitação de médicos veterinários, servidores do Indea para atendimentos de emergência sanitária animal em formas de simulados.
Todas essas ações são medidas preventivas que auxiliam o serviço de defesa para que o vírus da febre aftosa não entre em nosso Estado. Mas, além disso, o Fesa desempenha papel essencial para a defesa estadual ao oportunizar recurso financeiro e suporte operacional para o atendimento emergencial.

Caso ocorra foco de febre aftosa no estado, nitidamente considerada uma situação de emergência, o Fesa aporta recursos imediatos para que a operação do sistema de defesa funcione efetivamente.

O sistema emergencial é semelhante ao Corpo de Bombeiros, precisa de profissionais treinados, com capacidade técnica para liderar grupos de pessoas que irão conter a doença de forma rápida e o mais eficiente possível.

Além do Fesa atuar de forma efetiva para conter a disseminação do vírus numa possível emergência, o pecuarista de Mato Grosso fica mais aliviado por saber que 50% de todo recurso contido no Fesa existe para ressarci-lo financeiramente, atenuando os danos causados pela aftosa.

Desde sua criação o FESA-MT já realizou mais de 300 ações, aportando mais de R$ 48 milhões em Defesa Sanitária Animal como: ações de emergências sanitárias animal, projetos de educação sanitária, capacitações (médicos veterinários, técnicos, produtores rurais e comunidades) e indenizações a produtores rurais acometidos por moléstias de risco grave economicamente.

Caso queira conferir o portal de transparência do Fesa-MT ou necessite imprimir a guia de recolhimento, acesse o site: http://www.fesamt.com.br/site/

4- Qual o impacto da retirada da vacinação da febre aftosa sobre a pecuária no Estado de Mato Grosso?

Para melhorar a tomada de decisão, a iniciativa privada solicitou ao Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) uma análise, veja o que apontou o estudo.

Acesse aqui a análise: http://site.senarmt.org.br/wp-content/uploads/2021/09/Impacto-da-retirada-da-vacinacao-da-febre-aftosa.pdf

5- Quais são os maiores gargalos para o avanço da retirada da vacinação de febre aftosa em Mato Grosso?

Apoio político: O grupo gestor vem buscando sensibilizar os deputados e o governador, demonstrando que há necessidade de maior envolvimento da classe política nesse processo e que seu apoio é fundamental.

Disponibilidade financeira: O Indea necessita de maiores investimentos e de maior aporte financeiro para o custeio. Atualmente os recursos destinados para a manutenção do órgão não são suficientes e muitas vezes ficam contingenciados pelo governo, fazendo com que algumas atividades de campo sejam prorrogadas ou não sejam executadas.

Impacto da Covid-19: A pandemia e o agravo financeiro das contas públicas prorrogaram por um ano a retirada da vacinação no Bloco IV, onde a maior parte do Estado de Mato Grosso é pertencente. Entretanto, a sociedade rural e o governo do estado precisam discutir se a retirada da vacinação pode ou não trazer benefícios econômicos. Num momento de reconstrução mundial, os produtos agropecuários do Brasil poderão entrar com maior facilidade em mercados até então fechados para nós. Talvez esta seja uma grande oportunidade que corremos o risco de perder, se não evoluirmos sanitariamente para o período de pós pandemia.

6- Você sabe por que a vacina contra a Febre Aftosa não é a ferramenta mais eficiente nessa etapa do processo com o vírus erradicado do nosso território?

O último foco de febre aftosa em Mato Grosso ocorreu em 1996. Já são 24 anos sem a doença e se não há circulação do vírus, então por que continuar vacinando? A imunização gera custo aos produtores de Mato Grosso, que desembolsam cerca de R$ 60,23 milhões por ano apenas com a aquisição da vacina, sem contar a mão de obra.

A vacina é efetiva para impedir a circulação do vírus entre os indivíduos susceptíveis quando há o vírus na população. Entretanto, a partir do momento em que não existe o vírus circulante, a melhor medida de controle é impedir a sua entrada. Para isso, é mais inteligente adotar outras medidas de proteção, como o fortalecimento do serviço de defesa, o controle efetivo da circulação de animais e a vigilância sanitária rígida, principalmente na faixa de fronteira.

No Brasil, os estados que ainda fazem a vacinação gastam aproximadamente R$ 430 milhões por ano com a aquisição da vacina. A vacina utilizada é bivalente, contendo apenas os vírus tipos O e A, dos 7 tipos de vírus existentes no mundo.

Mesmo que o estado de Mato Grosso ou o Brasil vacinem eternamente o rebanho isso não garante ou não impede a entrada do vírus. Se animais doentes ou materiais contaminados pela febre aftosa entrarem em nosso estado, a chance de termos animais acometidos é altíssima, mesmo que estejam vacinados. Isso é comprovado cientificamente. Como exemplo temos o caso da Colômbia que, mesmo vacinando o rebanho, recentemente teve a introdução do vírus em seu território pela entrada de bovinos infectados vindos da Venezuela.

7- O que a Famato, como entidade que representa os produtores rurais, defende?

Mais do que apenas defender uma posição, a Famato e o grupo gestor estão trabalhando ativamente para fortalecer o sistema de defesa animal e vegetal do estado de Mato Grosso.

A Famato faz parte da Equipe Gestora Estadual coordenada pelo Indea, assim como outras entidades do setor produtivo. De 2018 até maio de 2020 foram realizadas dezenove reuniões para gerenciar as 41 ações do plano estratégico de retirada da vacinação elaborado pelo Ministério da Agricultura (Mapa). Boa parte dessas ações estão concluídas ou em andamento.

Para atingir o objetivo desejado, a Famato defende a criação e a manutenção de condições sustentáveis ao longo prazo, com maior aporte de recurso financeiro do Governo Federal para a região de fronteira, e investimento do Governo de Mato Grosso no Indea. Isso melhorará a capacidade de atendimento do órgão de defesa, a partir da habilitação dos servidores para que executem as medidas de prevenção com perfeição, reduzindo assim a probabilidade da entrada do vírus da febre aftosa no estado.

Para evoluir, entendemos a necessidade de fortalecer as parcerias público-privadas com o Indea e o produtor rural caminhando lado a lado, buscando a melhor maneira para modernizar a defesa agropecuária.

Depois de todos esses anos de luta contra a febre aftosa com o apoio incondicional dos produtores rurais, esperamos que em 2022, após a validação de todos os pontos anteriormente mencionados, venha a certeza de que é sim seguro e possível a retirada da vacinação, com a continuidade do Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa (PNEFA).

8 – No Estado de Mato Grosso o município de Rondolândia e partes dos municípios de Aripuanã, Colniza, Comodoro e Juína fazem parte do Bloco I.