O cenário do agronegócio, a importância para o desenvolvimento da economia mato-grossense e os desafios do setor foram os assuntos das palestras proferidas na quinta-feira (28 de novembro) durante o seminário "O Mundo dos Fatos do Agronegócio". O evento, voltado para magistrados, prossegue na sexta-feira (29), na Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT).
"O objetivo desse evento é o de inteirar os magistrados sobre o setor para que possam avaliar a extensão de decisões que podem impactar na sociedade e no meio ambiente", afirmou o vice-presidente do TJ, Márcio Vidal, na abertura do seminário.
O desembargador lembrou que a Justiça Estadual tem se debruçado em temas importantes, como a criação do Tribunal da América Latina voltado para atuar no meio ambiente. "Nesse contexto temos que analisar o desenvolvimento econômico de Mato Grosso e o seu reflexo no sistema judicial", completou.
Em março de 2014, adiantou, está previsto um congresso com o mesmo tema a ser realizado nos dias 13,14 e 15 na Comarca de Sorriso (420 km ao Norte de Cuiabá).
"Identificamos a demanda para realizarmos esses eventos a partir da relevância que o agronegócio tem para Mato Grosso. Neste, em especial, não serão abordadas questões jurídicas e os temas tratam de assuntos técnicos", pontuou o juiz da Terceira Vara, Jorge Iafelice dos Santos.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Rui Prado, ressaltou a importância da realização do seminário. "É uma oportunidade de falarmos aos magistrados e mostrarmos a peculiaridade do agronegócio mato-grossense".
Na primeira palestra da programação ‘Cenário Econômico do Agronegócio’, o consultor da Agroconsult, Fábio Meneghin, afirmou que o Brasil encontrou a sua verdadeira vocação nas últimas duas décadas.
"Não adianta querer competir, por exemplo, com as indústrias do sudeste asiático. O último PIB brasileiro (Produto Interno Bruto) divulgado mostra que o agronegócio cresceu 8%, enquanto a indústria teve uma retração de 1% e o setor de serviços estagnou", ressaltou.
Com 22% da fatia do PIB brasileiro, o agronegócio também avança com superávit nas exportações. O resultado é que o saldo da balança comercial agrícola deu um salto de 173% em 10 anos, saindo de US$ 15 bilhões em 2002 para US$ 41 bilhões em 2012.
Meneghin lembrou que Mato Grosso tem uma participação significativa nos resultados alcançados pelo Brasil e acrescentou que se o Estado fosse um país, seria o quarto maior produtor de soja do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia.
Na segunda palestra do seminário "Operação Agrícola e Gestão da Propriedade", o diretor-executivo da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Marcelo Duarte Monteiro, abordou as vantagens e desvantagens enfrentadas pelos produtores mato-grossenses.
"Mato Grosso é uma potência e responde por quase um terço (27%) da produção de soja brasileira. Contamos com fatores positivos como o clima, terra e o empreendedorismo dos agricultores, apesar do solo fraco e da falta de logística de transporte, o que tira parcela significativa da rentabilidade da safra", afirmou.
O diretor explicou que, o objetivo no seminário foi fazer com que os magistrados entendam que a agricultura é muito mais que plantar e colher. "O produtor é hoje um empresário que tem que tomar decisões complexas que envolvem uso de tecnologia, mercado futuro, tomada de crédito, entre outras".