Por Marianna Peres*
No início de 2002 eu saía do jornalismo On Line do Diário de Cuiabá, para escrever a primeira matéria de Economia da minha vida para o mesmo Diário de Cuiabá. Minha primeira fonte? Homero Pereira, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato). A pauta era a vacinação do rebanho contra a brucelose. Mesmo uma iniciante, Homero teve toda a paciência e respeito comigo. Explicou, esclareceu dúvidas e desde então, nunca mais o deixei em paz!
Minha primeira pauta de agronegócio foi justamente com o maior líder do segmento que a minha geração de jornalistas conheceu aqui no Estado. Sim, não podemos nos esquecer do saudoso Jonas Pinheiro, mas a minha geração de especialistas conheceu foi o Homero. Nem me lembrava mais dessa minha ‘primeira vez’ profissional, mas a notícia do falecimento de Homero, logo ao acordar no último domingo, me deixou triste e me fez remexer no baú de memórias, memórias acumuladas ao longo de 12 anos de jornalismo, sendo 11 dedicados exclusivamente à economia e ao agronegócio.
Da simples pauta de campanhas de vacinação e números da safra, tenho orgulho de ter avançado no assunto na mesma proporção que o agronegócio ganhava no país e no mundo. Se hoje o Brasil se reporta a Mato Grosso quando o assunto é produção agropecuária é graças ao nosso trabalho formiguinha do dia-a-dia. Tive a honra de ouvir isso do próprio Homero numa reunião ali mesmo na Famato, encontro esse que reuniu os principais líderes rurais do Estado para traçar estratégias para o Grito do Ipiranga, movimento que entrou para história do agronegócio. Lembro-me que quando Homero dizia que iam encher a Esplanada dos Ministérios de tratores, seus olhos brilhavam. E foi justamente após a crise financeira do segmento, safra 2004/05, que Homero se revelou um verdadeiro líder. Dali em diante não parou mais. Perdemos aquela fonte diária, mas o setor ganhou um representante que tanto fazia falta no Congresso Nacional.
Minha relação com o Homero, mesmo profissional, foi diferente. Estabelecemos um laço de confiança, respeito e admiração mútuos. Essa amizade me fez convidá-lo, juntamente com a sua esposa dona Irene, para meu casamento. Ele não podia ir, mas dona Irene foi e isso me alegrou bastante, fiz questão de agradecê-lo pela consideração.
Sinto-me triste, aqui e agora, por estar, somente após seu falecimento, prestando uma singela homenagem. Reconhecimentos devem ser feitos em vida, mas foi justamente por conhecer esse espírito de guerreiro do Homero é que eu e mais uma centena de pessoas que conviveram com ele acreditam que ele venceria mais essa. E no fundo, ele venceu sim, foi até o fim sem desacreditar. Obrigada Homero por me inserir no agronegócio. Descanse em paz!
*MARIANNA PERES é editora de Economia e ocupa, excepcionalmente, hoje este espaço.