O I Fórum Brasileiro de Etanol de Milho e Sorgo reuniu mais de duzentos participantes, em sua maioria produtores rurais, para discutir a industrialização dos grãos como alternativa para a produção do combustível. O evento foi realizado no Sindicato Rural de Sorriso na sexta-feira (27.09).
Em seu discurso, o presidente do Sistema Famato, Rui Prado, que participou do painel sobre Políticas Públicas para o Etanol, disse acreditar que os R$ 700 milhões disponibilizados pelo Governo Federal para custear o prêmio dos leilões de milho neste ano foram uma solução para o milho excedente, mas que esta não pode ser uma solução sustentável por muitos anos. "Se fizermos uma retrospectiva do que foi acrescido na produção de grãos em Mato Grosso e projetarmos isso para os próximos quatro anos, teremos uma safra que hoje é de quase 50 milhões de soja e milho e que passará para quase 100 milhões de toneladas futuramente. Pensando nisso, não vejo que todos os anos conseguiremos os prêmios que precisamos para continuar nesse modelo", afirmou Prado.
Para ele, iniciativas como o Fórum do Etanol podem encontrar essas soluções. "Acredito que uma delas é a industrialização de milho, que gera como subprodutos o álcool e o DDG, para suplementação proteica de animais. No entanto, temos que produzir cada vez mais para que toda a cadeia seja remunerada e possibilite os investimentos que temos que fazer", ressaltou Prado.
Da produção de milho do Estado, 3,5 milhões de toneladas têm origem em Sorriso. Segundo Laércio Lenz, presidente do Sindicato Rural do município, a produção é alta e poderia ser destinada tanto para etanol quanto para alimentação. Mesmo assim, os produtores ainda não estão usando toda a capacidade de produção de suas propriedades, desmotivados pelo baixo preço, que em sua região atingiu cerca de R$ 10 a saca. "O destino do milho para etanol é uma boa alternativa, principalmente para nossa região. No momento que for viabilizada a cultura e produtor sentir que vai ter lucro com ela, a produção vai aumentar em virtude das áreas que deixaram de ser plantadas. Tendo garantia de preço, com certeza vamos agregar valor na cultura e investir mais", disse Lenz.
Na opinião do vice-presidente da Famato e produtor de cana-de-açúcar, Normando Corral, acoplar uma usina de milho a uma usina de cana é um bom negócio, já que é possível utilizar parte da energia gerada pelo bagaço de cana na produção do etanol de milho. "Isso é o futuro e Mato Grosso pode contribuir muito com a fonte renovável de energia tanto da cana quanto do milho, pois temos uma grande produção do grão em nosso Estado", comentou Corral.
Segundo o superintendente do Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária (Imea), Otávio Celidonio, tanto uma usina flex, onde há produção de etanol de milho e cana-de-açúcar, quanto a usina full, que produz somente etanol de milho, são viáveis. "Para converter uma usina de cana em flex, que consume 500 toneladas ao dia, o empresário investirá cerca de R$ 12 milhões. Para construir uma usina full que consome a mesma quantidade estima-se um investimento de R$ 40 a 50 milhões", calcula Celidonio.
O I Fórum Brasileiro de Etanol de Milho e Sorgo foi realizado pela Aprosoja Brasil e Aprosoja Mato Grosso, com apoio do Sindicato Rural de Sorriso, Senar-MT, Canal Rural e Novozymes e patrocínio da Pioneer.
O Sistema Famato é a união da Famato, do Senar-MT, do Imea e dos 87 Sindicatos Rurais de Mato Grosso. Acompanhe-nos nas redes sociais, pela Fan Page no Facebook (https://www.facebook.com/sistemafamato) e pelo perfil no Twitter (@sistemafamato).