O trabalho conjunto de lideranças da agropecuária e a consolidação de políticas públicas que fortaleçam o setor foram o desafios lançados por Paulo Rabelo de Castro na primeira palestra da Bienal dos Negócios da Agricultura nesta sexta-feira (09.08). “Somos um país com extremo potencial, mas perdido em estratégias”, enfatizou o consultor.
Com o tema “Centro-Oeste – O futuro do Brasil passa por aqui”, o debate conclamou produtores e lideranças rurais a deixar as discussões e partir para a ação como uma forma de garantir que o agronegócio se consolide como um dos pilares sólidos do crescimento econômico e social do Brasil. “Temos muita capacidade empreendedora, mas com baixo DNA de planejamento estratégico. O que temos de impulso nos falta em direção”, afirmou.
Segundo Rabelo de Castro, o Centro-Oeste tem um enorme potencial e o futuro do campo precisa ser capturado imediatamente. “O importante é conseguirmos saber se este futuro que passa por aqui vai ficar aqui. O agronegócio é uma passagem para o futuro, mas nem todo o futuro está no agronegócio dentro da Região. Nós somos instrumentos como produtores de valor dentro da agropecuária para termos algo maior que a agropecuária”, enfatizou Rabelo de Castro. “Se não soubermos compreender isso não teremos talento para fazer a liderança política adequada”.
De acordo com o consultor, mudanças políticas se fazem urgentes quando se percebe que o crescimento econômico do Centro-Oeste não tem o respaldo necessário em um país que não cresce de maneira equivalente. “A Região tem uma vez e meia o desempenho do crescimento brasileiro e Mato Grosso, em particular, tem crescido até duas vezes mais que o PIB. Isso causa um efeito de frenagem em um país que não consegue crescer mais de 2% ao ano”, explicou.
A dimensão política do agronegócio brasileiro será possível, segundo Rabelo de Castro, com um aumento da capacidade de influência e argumentação por parte dos representantes do setor. “O espaço político que abrimos para nossos parlamentares ainda é insuficiente. Temos muitos desafios, como a logística e as altas cargas tributárias, que ainda emperram o desenvolvimento do setor”.
Planejamento e gestão para além do agronegócio com leis de eficiência pública também são prioridades para a redução dos gastos e um retorno positivo para o agronegócio nacional. “Temos que cobrar dos governantes de uma maneira organizada, temos que ganhar dimensão política. Governo e lideranças governamentais precisam ser ajudados politicamente a caminhar mais rápido”, frisou o consultor.
A Bienal – Interessados em participar da Bienal dos Negócios da Agricultura Brasil Central podem fazer o credenciamento no Cenarium Rural. A programação está disponível no site www.bienaldaagricultura.com.br.