Produtores mato-grossenses esperam ansiosos a divulgação de novas medidas do governo federal para o setor de armazenagem. O anúncio será feito no final de maio pela presidente Dilma Rousseff. Apesar dos números estarem sendo guardados a sete chaves, a assessoria do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), garante que estas medidas incluem novas regras para as linhas de financiamentos e mais recursos para o setor. O que já se sabe é que haverá mais facilidade de acesso ao crédito, taxas de juros mais baixas e até 18 anos de prazo para pagar.
Alberto Munhoz, produtor de milho e soja em Sorriso, a 420 quilometros de Cuiabá, diz que se tiver qualquer problema para escoar a safra de milho terá muita dificuldade para armazenar a próxima safra. "Trabalhamos no limite". Ele conta que os produtores da sua região estão sempre preocupados com o armazenamento. "Agora é esperar para ver o que o governo federal vai fazer".
De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) há em Mato Grosso 2.148 unidades armazenadoras incluindo públicas e privadas. Juntas tem capacidade de armazenar 28.477.738 toneladas. O superintendente da Conab, Olvídio Costa Miranda diz que como a produção do estado está em torno de 43 milhões de toneladas já se trabalha com um déficit de aproximadamente R$ 15 milhões de toneladas. "O problema só não é maior porque o escoamento da safra de soja é quase simultanea à colheita".
Os produtores acreditam que os investimetos de R$ 250 milhões por ano e o pacote de medidas do governo federal que promete facilitar o acesso ao crédito não serão suficientes para solucionar o problema do setor. "Temos um déficit na capacidade de armazenagem de pelo menos 60%. Isso não é resolvido da noite para o dia", diz Alberto Munhoz.
Outro preocupado com a armazenagen da safra de milho é o produtor Nilson Fortuna. Ele conta que a partir de 30 de abril passa a pagar cerca de R$ 0,20 por saca armazenada. "Pagamos por quinzena, mas o problema é que os armazens estão cheios". O produtor é otimista e está sempre em busca de alternativas para melhorar a rentabilidade.