Em Mato Grosso – maior produtor brasileiro de grãos – entidades do setor produtivo avaliaram de forma positiva o plano Agrícola e Pecuário lançado nesta quinta-feira (28) pelo Governo Federal. Federação da Agricultura e Pecuária (Famato) e Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja) afirmam que os R$ 115,2 bilhões disponibilizados vão atender parcialmente às demandas do setor agropecuário. Redução da taxa de juros – de 6,75% para 5,5% ao ano – também animou. Mas na avaliação do diretor Financeiro e Administrativo de ambas as entidades, Nelson Piccoli, faltou uma linha exclusiva para recuperação de pastagens.
Segundo ele, apesar de o programa de Agricultura de Baixo Carbono (ABC) ser uma alternativa para agricultores e pecuaristas financiarem ações de recuperação, há dificuldade em acessá-lo. A baixa adesão tem ocorrido especialmente em função da burocracia, segundo Piccoli. A realidade na unidade federada é a mesma verificada no Brasil onde apenas 28% dos recursos disponibilizados pelo Programa foram tomados pelos produtores. De R$ 3 bilhões viabilizados para a safra 2011/2012 apenas R$ 840 milhões foram aplicados em ações para promover a agricultura sustentável.
Na edição 2013 do Plano Agrícola e Pecuário, o governo enquadrou o "ABC" na linha prioritária às ações sustentáveis no meio agropecuário. Vai receber R$ 3,4 bilhões. "O plano não atende em sua totalidade as necessidades do produtor de Mato Grosso, mas houve um avanço no formato. Temos em nosso estado uma oportunidade para elevar a produção de alimentos e recuperar as áreas. Contudo, a linha existente que é pelo ABC tem muitos entraves burocráticos e faz o agricultor não querê-la", declarou Nelson Piccoli.
Dados da Famato mostram que em Mato Grosso as áreas degradadas somam 9 milhões de hectares. Deste universo, pelo menos 6 milhões de hectares são propícias ao uso agrícola. A Federação, que no estado congrega 86 sindicatos rurais, havia solicitado ao Governo Federal uma linha específica somente para as pastagens. Mas não teve o pleito atendido pela União.
Outro ponto que as entidades acreditam não atender em sua totalidade à classe agropecuária é o limite de crédito individual para custeio. Ele sofreu uma alteração e passou de R$ 650 mil para R$ 800 mil por produtor. Segundo Piccolil, em Mato Grosso as entidades estimam como ideal cifras acima de R$ 1 milhão.
"O limite de crédito aumentou. Mas em Mato Grosso pelos problemas de logística que elevam os custos os produtores precisariam em torno de R$ 1,3 milhão. Foi a solcitação", comentou ainda o diretor da Famato e Aprosoja. Além do crescimento no valor do custeio, cresceu também o limite para a comercialização. Foi de R$ 1,3 milhão para R$ 1,6 milhão.
Preço Mínimo
O setor também pleiteava a inclusão de um chamado "Preço Mínimo para a Bovinocultura" como forma de "travar" os preços em épocas de descompasso entre oferta e demanda. "Hoje temos preço mínimo para a soja, o milho, menos para a pecuária. Quando a oferta é maior que a demanda o preço baixa demais", falou Piccoli.