Maior produtor nacional de grãos, Mato Grosso, que se destaca no cultivo de soja, algodão, milho, além da pecuária, tem problemas sérios com o desenvolvimento da agricultura familiar. Cento e cinqüenta mil famílias estão enquadradas na categoria e exercem atividades tradicionais em assentamentos ou demais comunidades na zona rural. As dificuldades vão desde a carência de infraestrutura até a falta de uma política pública de desenvolvimento de assentamento, de capacitação, agroindústria, comercialização, transporte, assistência técnica e pesquisa, dentre outras.
Apesar disso, segundo dados do IBGE, são esse agricultores os responsáveis pela maior parte da comida que chega à mesa da população brasileira. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Pública de ato Grosso (Sinterp), Gilmar Antônio Brunetto, a agricultura familiar no Estado pode morrer por falta de assistência técnica. “A agricultura familiar tem pressa”, afirma.
Dificuldades
O segmento é a grande aposta do governo e das prefeituras para tornar o Estado autosuficiente no fornecimento dos alimentos que chegam à mesa dos mato-grossenses. Porém, segundo Brunetto, existe ainda um grande caminho a ser percorrido. Hoje, quase 70% dos produtos são trazidos de outros estados. Os problemas são inúmeros, vão desde a falta de assistência técnica, onde se origina toda a deficiência da cadeia, até problemas de acesso ao crédito, regularização fundiária até mesmo comercialização. “O acesso à tecnologia e ao crédito para dinamizar a produção e renda são praticamente inexistentes”, afirma Brunetto.
Na agricultura familiar concentra-se o maior índice de diversificação de culturas, onde o trabalho do agricultor é sempre feito com ênfase em produção de produtos como: arroz, feijão, leite, frutas, peixes, aves, suínos, doces, conservas, queijos entre outros. A dificuldade diante da comercialização dessa produção é outro entrave para a agricultura familiar no Estado.
Comercialização
Com relação aos produtos de origem vegetal tudo é simples, bastando alguns cuidados especiais com a higiene, porém quando o assunto é produtos agro-industrializados e de origem animal, a situação se complica, pois as exigências sanitárias são grandes e impostas por leis. O presidente do Sinterp, explica que para a comercialização desses produtos de origem animal o pequeno produtor precisa estar autorizado pelo Sistema Municipal de Inspeção (SIM). “No mínimo esses agricultores precisam do SIM, e no Estado poucas cidades tem, pois a maioria dos municípios não implantaram ainda o sistema próprio de inspeção, ficando o produtor a mercê, pois não tem como colocar o produto no mercado local”. Outro problema em relação ao SIM é de que o cumprimento da lei exige do pequeno produtor um alto investimento, o que se torna inviável quando o acesso ao crédito é restrito.
O fator preocupante é que quando se fala no sistema de inspeção municipal, selo da agricultura familiar, mais para tudo isso é preciso que o produtor tenha montado uma agroindústria, que tem custo alto, depende de projeto, além de aprovação ambiental e sanitária para poder funcionar. “Como fará um produtor que produz 10 kg de queijo por semana, como ele conseguirá montar sua agroindústria dentro dos padrões exigidos, resta apelar para uma associação ou cooperativa, mais percebe-se que em nossa região não existe entre produtores o espírito de associativismo e cooperativismo”, explica.