O rebanho bovino de Mato Grosso pode ter uma redução de 2% frente aos 29,1 milhões de cabeças registrados o ano passado, ou seja, pode cair para 28,6 milhões, número inclusive inferior aos 28,7 milhões de cabeças contabilizados em 2010. A queda, se estimativas concretizadas, terá como causa o aumento do abate de fêmeas com mais de 24 meses. Entre janeiro e abril de 2012, foram abatidas 1,73 milhão de cabeças; destas, 50,2% eram fêmeas. Hoje, 41% do rebanho no Estado corresponde a fêmeas. A projeção foi divulgada ontem pela Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) e Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e consta no Relatório Sobre Abates de Fêmeas em Mato Grosso. Em 2011, 18,4% das 11,8 milhões de cabeças de fêmeas com mais de 24 meses foram abatidas.
De acordo com o relatório, a projeção de redução do rebanho bovino se concretizará caso o percentual de abate seja de 21,4% do rebanho de fêmeas, ou seja, 2,5 milhões de cabeças. Contudo, se os percentuais forem os mesmos 18,4% registrado em 2011 pode-se haver um leve incremento no rebanho total de 0,1%, para isso o abate de fêmeas teria de ser de 2,2 milhões de cabeças. O levantamento das duas entidades mostra ainda que o abate de fêmeas subiu 46,8% ante 2010, um salto de 1,48 milhão de cabeças para 2,17 milhões.
Enquanto isso o abate total cresceu apenas 12,4%, de 4,33 milhões de cabeças para 4,87% milhões. Ao se comparar o 1º quadrimestre o volume de fêmeas abatidas é o terceiro maior da série histórica desde 2004. Este ano foram abatidas entre janeiro e abril 866,1 mil cabeças, 19% superior as 727,7 mil de 2011. Os maiores índices para o período foram registrados em 2007 com 939,2 mil cabeças e 2006 com 868,5 mil. O volume do 1º quadrimestre de 2011 foi 29% superior as 565,2 mil cabeças do período em 2010. “O abate de fêmeas está aumentando em decorrência dos problemas enfrentados em 2010 e 2011 com a pastagem. Em 2010 tivemos oito meses de seca e em 2011 um ataque de pragas na pastagem. Isso tem impactado até hoje. A chuva que cai hoje deveria ter surgido em janeiro e fevereiro”, explica o superintendente da Acrimat, Luciano Vacari.
Vacari comenta que, devido a problema de pastagem, muitos produtores acabam por optar em descartar as fêmeas, pois o problema impacta inclusive na produtividade. “Em 2006 e 2007 também abatemos mais fêmeas, contudo naquela ocasião tínhamos uma crise de preço”. Ele ressalta que em 2012 é impossível a recuperação das pastagens para que o abate de fêmeas retraiam. “Hoje, não dá mais. Só final do ano para colher em 2013. A única alternativa do produtor para que o animal não perca peso são os confinamentos e semiconfinamentos”.
Bezerro
O gestor do Imea, Daniel Latorraca, comenta que o setor pecuário já tem a certeza de que os abates de fêmeas serão maiores em 2012, “porém ainda é incerto o quanto”. “Os próximos meses serão decisivos. Ainda tem a questão do preço do bezerro, pois se este estiver em alta o produtor irá segurar mais fêmeas para reprodução, caso contrário o descarte ocorrerá”. Hoje, a cabeça do bezerro custa em média R$ 650,30 em MT. “O bezerro é a moeda da bovinocultura. É seu preço quem dita o aumento da fecundidade”.