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18/05/2026

Produtores de Mato Grosso buscam no Texas genética e biotecnologia para impulsionar a pecuária

Fonte: Eduardo Cardoso
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Missão Técnica Sistema Famato/Senar MT no Texas (EUA)

A busca por mais eficiência, produtividade e valor agregado marcou as últimas visitas da agenda técnica da Missão Sistema Famato/Senar MT no Texas, nos Estados Unidos. Na sexta-feira (12) e no sábado (13), produtores, presidentes de sindicatos rurais e lideranças do setor agropecuário de Mato Grosso visitaram três referências em genética, biotecnologia reprodutiva e seleção animal, a Trans Ova Genetics, a STgenetics e o BRC Ranch.

As visitas aproximaram a comitiva de tecnologias aplicadas à fertilização in vitro, transferência de embriões, sêmen sexado, avaliação genômica, acasalamento dirigido e seleção de animais voltados à produção de carne de maior qualidade. A agenda também permitiu comparar os sistemas produtivos do Brasil e dos Estados Unidos.

Na Trans Ova Genetics, em Bryan, o grupo conheceu uma estrutura voltada à reprodução avançada e à prestação de serviços para a multiplicação rápida de animais de alto valor genético. A empresa atua com transferência de embriões, fertilização in vitro, sexagem de sêmen, clonagem e preservação genética.

O médico veterinário brasileiro Eduardo Benedete, que lidera na Trans Ova o treinamento de técnicos de campo, destacou que o intercâmbio é importante porque Brasil e Estados Unidos desenvolveram soluções a partir de realidades diferentes.

“Esse intercâmbio entre tecnologias é sensacional. No Brasil, por termos grande disponibilidade de receptoras, nunca precisamos congelar tantos embriões. Aqui nos Estados Unidos, como a disponibilidade é menor, a tecnologia de congelamento de embriões e fertilização in vitro está entre as melhores do mundo”, afirmou.

A comitiva teve acesso as tecnologias aplicadas à fertilização in vitro

Benedete também explicou aos participantes a diferença entre inseminação artificial e transferência de embriões. Segundo ele, na inseminação, o bezerro carrega a genética da fêmea inseminada e do touro escolhido. Já na transferência, o embrião já é um indivíduo formado a partir de pai e mãe previamente selecionados.

Para o presidente do Sistema Famato, Vilmondes Tomain, a visita mostrou que Mato Grosso já está inserido nesse processo de modernização da pecuária.

“Mato Grosso vem trabalhando nesse sentido, com implante de embriões, inseminação e melhoramento genético do rebanho comercial. Ver brasileiros atuando em funções importantes, com equipamentos de ponta, mostra que essa troca tecnológica é de mão dupla”, afirmou Tomain.

Na STgenetics, em Navasota, a comitiva conheceu soluções ligadas à genética bovina, sêmen sexado, avaliação genômica e ferramentas de seleção. A proposta apresentada aos produtores foi a de utilizar dados e tecnologia para orientar cruzamentos mais eficientes, com foco em características produtivas e econômicas.

Para o diretor de Relações Institucionais da Famato, Ronaldo Vinha, a agenda reforçou a importância da genética como ferramenta estratégica para a pecuária mato-grossense.

Em Trans Ova e na STgenetics, os produtores rurais conheceram tecnologias de ponta, voltadas ao melhoramento dos rebanhos

“Na Trans Ova e na STgenetics, vimos tecnologias de ponta, já utilizadas também no Brasil, voltadas ao melhoramento dos rebanhos, à qualidade dos touros e à produção de carne com mais eficiência”, afirmou Vinha.

O diretor financeiro e administrativo da Famato, Robson Marques, avaliou que a genética deixou de ser uma ferramenta restrita a rebanhos de elite e passou a ter papel direto na rentabilidade da atividade.

“Tecnologias como fertilização in vitro, transferência de embriões e sêmen sexado agregam valor e dão ao produtor a oportunidade de melhorar o rebanho e a capacidade de investimento dentro da propriedade”, disse.

Para Alfredo Castro, diretor de mercado internacional da STgenetics para América Latina e Ásia, Brasil e Estados Unidos têm acesso a tecnologias semelhantes. O desafio, segundo ele, está na aplicação prática dentro dos sistemas produtivos.

“Hoje não vejo uma diferença tecnológica grande entre Brasil e Estados Unidos. A tecnologia em avaliação genética, genoma e reprodução está disponível. O desafio é aplicar isso com mais eficiência no mercado brasileiro”, afirmou.

Castro ressaltou que características como peso de carcaça, marmoreio e eficiência alimentar podem avançar quando há método, mensuração e continuidade. “Quem seleciona com constância tem resposta mais rápida e consistente”, completou.

Produtores compararam sistemas produtivos e reconhecer o nível técnico já alcançado pela pecuária brasileira

O presidente do Sindicato Rural de Poconé, Ricardo Figueiredo de Arruda, afirmou que a missão permitiu aos produtores comparar sistemas produtivos e reconhecer o nível técnico já alcançado pela pecuária brasileira. “Como produtores de carne no Brasil, vemos que, do ponto de vista de melhoramento, não devemos nada. Cada país tem sua realidade, mas o Brasil está muito bem representado”, avaliou.

No sábado, a comitiva encerrou a etapa do Texas no BRC Ranch, na região de Boling. A propriedade, administrada por Brandon e Rachel Cutrer, trabalha com seleção de Brahman, produção de genética, comercialização de embriões e sêmen, animais de elite e carne.

A agenda também permitiu comparar os sistemas produtivos do Brasil e dos Estados Unidos

Os dados dos animais são acompanhados desde o nascimento até a venda ou o abate, com atenção a desempenho, carcaça, fertilidade, facilidade de parto, maciez da carne e adaptação produtiva. Brandon Cutrer afirmou que receber a comitiva brasileira foi uma oportunidade de aproximação entre produtores que compartilham interesse pelo gado zebuíno.

“Sempre vi fotos e vídeos da pecuária brasileira e fico impressionado com a dimensão do rebanho Nelore. Temos a mesma paixão pela agricultura e pelo gado zebu”, afirmou.

Segundo Cutrer, Brasil e Estados Unidos podem ampliar a cooperação para produzir proteína animal com mais eficiência. “Trabalhando juntos com o gado zebu entre o sul dos Estados Unidos e o Brasil, podemos alcançar esses objetivos”, disse.

Para o Zé Viola, presidente do Sindicato Rural de Poxoréu, uma das principais mensagens da visita foi a diferença entre apenas usar técnicas reprodutivas e realizar melhoramento genético de forma planejada.

“Às vezes, o produtor usa inseminação e acha que está fazendo genética. Fazer genética é ter controle do animal, melhorar a raça e introduzir características desejadas para o mercado, valorizando o animal e agregando renda ao produtor”, afirmou. Zé Viola também destacou o trabalho da BRC Ranch na seleção de animais de tamanho mais moderado, com foco em facilidade de parto, manejo e funcionalidade.

Foco na agricultura
A partir desta segunda-feira (18), a missão técnica inicia, no estado do Nebraska, a etapa final da agenda internacional, com visitas voltadas à agricultura, irrigação, uso eficiente da água, sistemas produtivos integrados e pesquisa aplicada. Depois de uma semana dedicada à pecuária, genética e biotecnologia reprodutiva no Texas, a comitiva encerra a programação até quarta-feira (20) com foco em referências técnicas que possam contribuir para a realidade dos produtores rurais, sindicatos e lideranças do agro de Mato Grosso.

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