Em uma região do Texas onde a estiagem interfere diretamente na lotação dos pastos, no uso da água e no planejamento do rebanho, produtores e lideranças rurais de Mato Grosso conheceram, nesta terça-feira (12), a estrutura da GKB Cattle, em Desdemona. A propriedade é referência em genética bovina e trabalha com raças como Angus, Brangus, Hereford e Braford, selecionadas com foco em desempenho, qualidade de carne e adaptação ao ambiente.
A visita fez parte da programação da Missão Técnica EUA 2026 e colocou a comitiva diante de um sistema de produção diferente do brasileiro, mas marcado por desafios conhecidos da pecuária mato-grossense, como seca prolongada, necessidade de eficiência no uso das pastagens, suplementação estratégica e busca por animais mais produtivos.

Na GKB Cattle, os participantes acompanharam práticas de seleção genética, manejo de pastagens, uso de áreas irrigadas e coleta de dados para tomada de decisão. A fazenda utiliza informações de desempenho, medidas corporais, ultrassom e perfil genômico para orientar o melhoramento do rebanho. As áreas irrigadas são direcionadas principalmente para categorias mais exigentes, como vacas de primeira cria e animais jovens em desenvolvimento.
Para o vice-presidente da Famato e coordenador da Comissão de Pecuária de Corte da entidade, Amarildo Merotti, a experiência mostrou a força da genética texana, mas também reforçou o potencial competitivo da pecuária brasileira. “A gente está vendo o que eles têm de bom e também valorizando o que temos no Brasil”, afirmou Amarildo.
Segundo ele, o Brasil possui vantagens importantes em solo, área produtiva e capacidade de intensificação. O desafio, no entanto, está em transformar essas condições em maior agregação de valor, organização produtiva e eficiência econômica.
“O Brasil tem tudo para caminhar forte. Ações como essa ajudam o produtor a enxergar o que pode ser adaptado à nossa realidade”, avaliou.

O presidente do Sindicato Rural de Juruena, Marcelo Gueller, destacou a aplicação prática da genética em sistemas de cria. Pecuarista da atividade, ele observou com atenção o uso de cruzamentos com raças britânicas, especialmente Angus e Brangus, sobre matrizes Nelore. “A gente está aprendendo como essa genética pode agregar à nossa produção”, disse Marcelo.
Ele também ressaltou o interesse em estratégias de suplementação e verticalização produtiva. Para o dirigente, a missão permite acesso a informações que dificilmente seriam alcançadas de forma individual pelos produtores. “Através da Famato e do Senar, a gente vem, faz esse aprendizado e depois repassa o conhecimento para os demais produtores na base”, afirmou.
A genética também chamou a atenção de Carlinhos Rodrigues, presidente do Sindicato Rural de Paranaíta. Ele avaliou que a GKB Cattle trabalha com critérios amplos de seleção, considerando ganho de carcaça, produtividade, qualidade de carne, resistência a doenças e adaptação ao clima. “Eles têm um trabalho muito intensivo em cima de genética”, afirmou.
Para Carlinhos, a busca por animais mais preparados para enfrentar períodos de seca é um ponto diretamente ligado à realidade de Mato Grosso, onde a pecuária também convive com meses de estiagem. “São ideias que conseguimos levar para a nossa realidade”, completou.

O presidente do Sindicato Rural de Cáceres, Aury Paulo, destacou a organização da propriedade e a eficiência operacional observada durante a visita. Segundo ele, a estrutura demonstra planejamento, padronização e controle dos processos produtivos. “A gente vê tudo muito bem organizado”, afirmou.
Aury também lembrou que parte da genética britânica utilizada no Brasil em cruzamentos industriais com o Nelore tem origem em trabalhos desenvolvidos nos Estados Unidos. Para ele, a presença de presidentes de sindicatos rurais na missão amplia a capacidade de multiplicação do conhecimento. “Quando a gente voltar para a base, teremos condição de levar ensinamentos e tecnologias aos produtores”, disse.
A presidente do Sindicato Rural de São Félix do Araguaia, Daniela Caetano de Brito, avaliou que a visita evidenciou diferenças entre os sistemas de produção dos dois países, mas também pontos de aproximação, especialmente em nutrição, armazenamento e melhoramento genético. “A pecuária está integrada mundialmente”, afirmou.
Daniela destacou ainda que o Brasil tem avançado na profissionalização da atividade, com apoio de programas como a Assistência Técnica e Gerencial, desenvolvida pelo Senar. Para ela, buscar referências fora do país contribui para aumentar a competitividade da produção brasileira. “A gente precisa buscar melhorias para ter mais competitividade no mercado”, completou.

Durante a visita, o gerente de rebanho da GKB Cattle, Andrew Conley, apresentou os principais desafios enfrentados pela operação no Texas. A seca, segundo ele, está entre os fatores mais complexos da atividade, por exigir planejamento constante de água, forragem e lotação animal.
Conley explicou que a propriedade mantém reserva de alimento e utiliza irrigação de forma estratégica para garantir melhor desempenho das categorias mais sensíveis. Ele também apresentou o uso de avaliações genéticas e informações individuais dos animais como ferramentas para orientar os acasalamentos e a seleção do rebanho.
A visita à GKB Cattle integrou o bloco texano da Missão Técnica Senar/Famato EUA 2026, voltado à pecuária de corte de alta performance, genética, reprodução, campo e confinamento. Para a comitiva, a experiência mostrou que competitividade não depende de uma única tecnologia, mas da combinação entre genética consistente, gestão, nutrição, adaptação climática e capacidade de transformar informação técnica em decisão dentro da propriedade.
A Missão Técnica EUA 2026 segue até 21 de maio, com visitas no Texas e em Nebraska. A programação inclui propriedades rurais, universidades, centros de pesquisa e instituições voltadas à genética, biotecnologia reprodutiva, sistemas integrados e uso da água na agropecuária.










