O Sistema Famato Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Sistema Famato) recebeu, na quinta-feira (07), a visita do embaixador da Noruega no Brasil, Kjetil Elsebutangen, em um encontro voltado ao fortalecimento das relações institucionais e comerciais entre Mato Grosso e o país europeu. A agenda teve como foco a apresentação da produção agropecuária sustentável do estado, que alia alta produtividade, uso intensivo de tecnologia e preservação ambiental.
Durante a reunião, o presidente do Sistema Famato, Vilmondes Tomain, apresentou um panorama sobre a evolução histórica da agropecuária mato-grossense, os desafios enfrentados pelos produtores rurais e os avanços conquistados nas últimas décadas. Ele destacou que Mato Grosso se consolidou como uma das principais potências produtivas do país a partir de investimentos em tecnologia, correção de solo, intensificação do uso da terra e modernização dos sistemas produtivos.
“Há 40 anos, os primeiros produtores chegaram a uma região de muitos desafios, com solos de Cerrado pobres em nutrientes e sem a estrutura que existe hoje. Mato Grosso só se tornou essa potência porque desenvolveu tecnologia, corrigiu o solo e aprendeu a produzir com eficiência, aproveitando o clima, a chuva, o sol e a topografia favorável”, afirmou.
O presidente também ressaltou que a consciência ambiental faz parte da realidade do campo e que o setor produtivo tem trabalhado para corrigir passivos ambientais herdados de um período em que a própria política pública estimulava a abertura de áreas.
“Hoje, a realidade é outra. O produtor tem consciência ambiental, recupera áreas degradadas e trabalha para produzir cada vez mais dentro das áreas já consolidadas. A Famato não apoia e não dá respaldo a quem comete infração ambiental, que não segue a legislação. O nosso foco é produzir com responsabilidade, segurança jurídica e respeito ao meio ambiente”, destacou.
A agricultura ocupa cerca de 15% do território de Mato Grosso, mas alcança resultados expressivos devido à possibilidade de realizar até três ciclos produtivos em uma mesma área ao longo do ano, combinando soja, milho, algodão e pecuária.

“O grande diferencial de Mato Grosso é produzir mais sem depender da abertura de novas áreas. O avanço da agricultura deve ocorrer, principalmente, sobre pastagens já consolidadas, por meio da integração lavoura-pecuária. Esse é o caminho para ampliar a produção com sustentabilidade”, completou.
O superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e da Famato, Cleiton Gauer, reforçou que Mato Grosso reúne condições técnicas para ser considerado um laboratório de soluções sustentáveis para o agro. De acordo com ele, o estado tem conseguido conciliar produção em larga escala e preservação ambiental a partir da intensificação produtiva, da recuperação de áreas e da adoção de tecnologias no campo.
“Mato Grosso mostra, na prática, que alta produtividade e preservação ambiental podem caminhar juntas. Produzimos em áreas consolidadas, aumentamos a eficiência da pecuária, recuperamos áreas de preservação permanente e utilizamos tecnologia para entregar mais alimentos, fibras e energia sem avançar sobre novas áreas de vegetação nativa”, afirmou Gauer.
Ele também destacou que 60,4% do território mato-grossense possui algum nível de preservação ou proteção da vegetação, incluindo terras indígenas, unidades de conservação e reservas legais dentro das propriedades rurais.
“O produtor mato-grossense entendeu que sustentabilidade também é competitividade. Os mercados internacionais exigem responsabilidade ambiental, e Mato Grosso está preparado para mostrar seus resultados, seus compromissos e sua capacidade de produzir com segurança jurídica e respeito ao meio ambiente”, acrescentou.
O embaixador Kjetil Elsebutangen afirmou que a visita teve como objetivo compreender melhor como Mato Grosso consegue aliar produção em escala e sustentabilidade. Para ele, o estado ocupa posição estratégica nesse debate.
“Estou muito feliz de estar em Mato Grosso para entender melhor como é possível aliar produção em escala com sustentabilidade. Mato Grosso é um estado-chave nessa solução, um verdadeiro laboratório de soluções para buscar equilíbrio entre produção e preservação ambiental”, declarou o embaixador.
Elsebutangen também destacou que a agenda ocorre em um momento importante para as relações comerciais entre o Brasil e a Noruega, com o acordo de livre comércio entre Mercosul e EFTA em processo de ratificação, segundo informações tratadas no encontro. O bloco europeu reúne Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein.
“Temos um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a EFTA em processo de ratificação, tanto no Brasil quanto na Noruega. Esperamos que esse acordo possa abrir novas oportunidades para os dois países, aproximando mercados e fortalecendo parcerias em uma agenda que envolve comércio, produção e sustentabilidade”, afirmou.
O tratado busca eliminar tarifas, facilitar investimentos e abrir mercados de alto poder aquisitivo, criando novas possibilidades para produtos brasileiros, especialmente aqueles alinhados a critérios ambientais, de rastreabilidade e sustentabilidade.
Também participaram da reunião Ines Marques, a enviada especial de Clima e Floresta da Noruega, Robson Marques e diretor administrativo e financeiro da Famato