A reforma tributária e seus impactos diretos na atividade rural foram tema de palestra promovida pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), conduzida pelo analista tributário da entidade, José Cristovão Martins. A apresentação integrou a programação da 17ª Parecis SuperAgro, realizada nesta quinta-feira (16), em Campo Novo do Parecis, e abordou a carga tributária prevista no novo modelo de tributação sobre o consumo, além dos regimes diferenciados aplicáveis ao agronegócio.
José Cristovão vão orientou os produtores rurais sobre as mudanças já em andamento e destacou medidas práticas que precisam ser adotadas para evitar prejuízos financeiros durante o período de transição. Isso porque, o novo modelo exigirá adaptação imediata em processos fiscais, negociais e administrativos.
O analista destacou que a reforma deverá alterar a carga tributária, aumentar obrigações acessórias e mudar a forma como o produtor precisará conduzir suas negociações. Entre os pontos citados estão os impactos sobre contratos de arrendamento, custos de aquisição de bens de capital e a necessidade de reavaliar o fluxo de caixa diante do novo sistema.
“O custo do arrendamento vai sofrer impacto e ter mudança com a reforma tributária. A despesa de caixa do produtor rural vai ser afetado também”, alertou.
O analista da Famato ressaltou ainda que o produtor terá de se adaptar ao modelo de não cumulatividade, baseado no sistema de débitos e créditos. Nesse formato, o imposto pago na compra de insumos poderá gerar crédito para abatimento na venda, o que exigirá maior controle e formalização das operações.
“Tudo aquilo que o produtor comprar com carga tributária, o tributo pago na compra se torna um crédito para ele utilizar na redução dos tributos na venda. É um sistema diferente do que acontecia antes”, pontuou.
Outro alerta feito pelo analista foi sobre o fim do modelo de diferimento atualmente conhecido pelo produtor rural, em que a responsabilidade tributária recai sobre o elo seguinte da cadeia produtiva, o que pode afetar diretamente o planejamento financeiro das propriedades.
Além das mudanças previstas para os próximos anos, José Cristóvão destacou que parte das exigências já começou a valer em 2026, especialmente na emissão de documentos fiscais. Ele explicou que produtores já precisam preencher notas fiscais destacando os novos tributos Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), ainda que em alíquotas reduzidas.
A penalidade pode representar pagamento direto de tributo que poderia ser evitado, caso a emissão da nota seja feita corretamente. José Cristóvão informou que atualmente existe um ato normativo suspendendo essa cobrança como forma de teste, mas que a medida deve ser revogada após a regulamentação definitiva.
A formalização será determinante para que o produtor consiga utilizar créditos tributários no novo sistema. “Todas as compras vão ter que ser feitas com nota. Senão, você não tem crédito para abater as saídas. E se não tem crédito, há o risco de prejuízo financeiro”, aponta José.
O analista também explicou que produtores rurais podem buscar orientação técnica sobre as novas regras tributárias por meio dos sindicatos rurais, que atuam como ponte entre o produtor e o Sistema Famato. “O Sindicato Rural do município é o conector com a Famato. Ele leva a necessidade ao sindicato que e já conecta ele conosco”, afirmou.
17ª Parecis SuperAgro
A Parecis SuperAgro é uma realização do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis e conta com o patrocínio do Sistema Famato/Senar MT, Aster (Concessionária JD), Sicoob Credisul, Sicredi e da Aprosoja MT, além do apoio da Prefeitura de Campo Novo do Parecis e da Câmara Municipal de Campo Novo do Parecis.
Texto: Assessoria de Comunicação Parecis SuperAgro e Ascom Sistema Famato