O Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Sistema Famato) participou do painel sobre biomassa e florestas plantadas durante a Show Safra, nesta terça-feira (25), em Lucas do Rio Verde. Promovido pela Associação dos Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta), o encontro foi dividido em dois blocos e reuniu especialistas para discutir o papel da biomassa na geração de energia e as estratégias para transformar áreas degradadas em ativos produtivos.
O debate também integrou a programação de discussões estratégicas voltadas ao desenvolvimento econômico sustentável no estado. O setor de florestas plantadas foi apresentado como um dos principais caminhos para impulsionar a economia sustentável de Mato Grosso.
Entre os palestrantes, o superintendente da Famato e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Cleiton Gauer, teve destaque ao abordar o potencial do estado e os desafios para consolidar a base florestal, no painel, dedicado ao tema “Biomassa: a energia verde do futuro”.
O superintendente reforçou que a disponibilidade de biomassa é fator estratégico para a viabilidade dessas indústrias. Segundo ele, Mato Grosso já possui uma demanda consolidada, o que abre espaço para expansão do cultivo florestal.
“O mercado já existe. Não estamos criando uma demanda artificial, mas respondendo a uma necessidade real das indústrias”, afirmou Cleiton.
Durante sua participação, Cleiton chamou atenção para uma oportunidade histórica. Ele comparou o cenário atual com o avanço observado em Mato Grosso do Sul nos anos 2000, quando o estado estruturou sua base florestal com a chegada de indústrias de celulose.
Para ele, Mato Grosso pode aproveitar o atual momento de mercado para acelerar o desenvolvimento do setor. Hoje, parte da biomassa ainda tem origem em material nativo, mas esse modelo tende a se esgotar. “As licenças estão diminuindo e a oferta vai ficar mais restrita. Se não produzirmos aqui, vamos pagar mais caro no futuro”, alertou.
Outro ponto central da fala do superintendente da Famato, foi a necessidade de diversificação da produção rural. Em meio a margens apertadas nas culturas tradicionais, como soja, milho e algodão, a silvicultura surge como alternativa especialmente para pequenas propriedades.
“A mensagem ao produtor é enxergar novos mercados. Não podemos depender de uma única atividade. A floresta plantada pode ser uma oportunidade para atravessar períodos de instabilidade com mais segurança”, disse Cleiton, que também destacou a importância do planejamento prático, recomendando que produtores visitem propriedades já consolidadas na atividade antes de investir.

O segundo painel abordou a conversão de áreas degradadas em projetos de biomassa e energia. A Famato apresentou dados sobre o potencial do estado, que somam cerca de 15 milhões de hectares aptos à conversão produtiva, especialmente em áreas já antropizadas (onde há espaço para produzir sem precisar desmatar novas áreas).
“Com esses painéis, validamos uma demanda robusta e a viabilidade financeira do setor. A biomassa é o caminho para garantir a mitigação de riscos, especialmente diante da complexidade da atividade, que exige união e cooperativismo. Transformar áreas degradadas em matrizes de desenvolvimento econômico, social e ambiental, por meio da biomassa, é hoje uma das maiores e mais novas oportunidades para Mato Grosso, além de contribuir de forma estruturante para a segurança energética”, afirmou o presidente da Arefloresta, Fausto Takizawa.
Também participaram dos debates o especialista em mercado florestal do Grupo Index, Marcelo Schimid, o consultor técnico da CM Florestal, Ranieri Souza, o professor Acelino Couto Alfenas, PhD em Patologia Florestal, professor titular da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e sócio-fundador da Clonar, Admaury Almeida, sócio-proprietário da Verde Floresta e representante da Cooperflora Brasil, e Roberta M. Nogueira, doutora em Engenharia Agrícola (Bioenergia) e professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus de Sinop.




