“O nosso modelo de produção agrícola é, atualmente, um exemplo para o mundo. Utilizamos a mesma área para produzir até três safras, alcançando ano a ano aumento nos índices de produtividade por meio de técnicas sustentáveis como o plantio direto e a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta”, disse o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), Rui Prado. A produção sustentável da agricultura brasileira foi tema de palestra nesta quinta-feira (21), no espaço AgroBrasil, liderado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20.
O objetivo era chamar a atenção para a necessidade da criação de regras ambientais universais, como a criação de um Código Florestal Mundial. Além disso, a entidade apoia a proposta da APP Global defendida pela CNA. “O meio ambiente não respeita fronteiras. De nada adianta para as futuras gerações se apenas os brasileiros fizerem seu dever de casa. A questão ambiental deve ser abraçada por todas as nações”, disse Prado durante a apresentação “Mato Grosso: Agropecuária Sustentável”.
O aumento da produção de alimentos nos últimos 40 anos também foi tema abordado na palestra. Prado exemplificou a redução no preço dos alimentos quando se referiu ao óleo de soja que custava em 1971 o valor de R$ 13,74 a unidade. “No ano passado o produto valia R$ 2,81, o que representa uma redução de 80%. Neste mesmo intervalo o consumo de óleo de soja cresceu 195%. O quilo da carne bovina, que em 1978 custava R$ 25,13, registrou queda de 37% no preço em 2011 (R$ 15,70) e o consumo aumentou 100%”, destacou.
O desenvolvimento da tecnologia permitiu também, segundo o palestrante, que o produtor rural produza mais na mesma área. Segundo o Imea, se o estado continuasse com a mesma produtividade de 1992 seria necessário mais 4,8 milhões de hectares para produção de soja, milho e algodão. Isso significa que o produtor de Mato Grosso, com o incremento de tecnologia na lavoura, contribuiu evitando o desmatamento. Prado apresentou dados sobre a produção da sojicultura. Nos últimos sete anos, a área destinada à sojicultura aumentou apenas 14,1% (de 6,19 milhões de hectares para 7,07 milhões de hectares), enquanto a produção cresceu 31,4% no mesmo período, passando de 16,7 milhões de toneladas para 21,9 milhões de toneladas.