Apenas 28% dos recursos disponibilizados pelo Programa de Agricultura de Baixo Carbono (ABC) foram tomados pelos produtores brasileiros. Do total de R$ 3 bilhões viabilizados para a Safra 2011/2012 cerca de R$ 840 milhões foram utilizados em medidas que promovam a agricultura sustentável, de acordo com informações cedidas pelo Ministério de Agricultura e Pecuária (Mapa). O crédito é o mesmo liberado para as ações de Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF), cuja estratégia de produção integra atividades agrícolas, pecuárias e florestais, realizadas na mesma área, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotacionado. Para especialistas, a baixa adesão é reflexo da falta de informação para o uso da tecnologia.
De acordo com o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Gado de Corte, Armindo Neivo Kichel, a falta de crédito não é desculpa para a falta de investimentos no campo. "Temos linhas de crédito para renovação da pastagem com três anos de carência e mais oito anos para pagar a dívida", explica. Ele ressalta que o sistema de integração é o que falta para promover o desenvolvimento sustentável em Mato Grosso. "Mas acontece que a maioria dos produtores ainda não tiveram as informações corretas para realizar as mudanças, por isso precisa procurar consultorias ou pessoal qualificado para que apliquem os sistemas integrados nas propriedades".
No entanto, ele admite que falta profissionais capacitados para repassar a teoria e a prática da tecnologia em questão. Para o pesquisador, outra mudança necessário no setor é a quebra do tradicionalismo. "O produtor precisa aprender a diversificar a produção. A propriedade rural precisa ser tratada como uma empresa e não com amadorismo. Se não gosta ou não sabe trabalhar com uma determinada atividade precisa encontrar pessoas que saibam repassar essa informação".
Sistema
Na pecuária mato-grossense, as pastagens degradadas causam prejuízos ao setor. Mais da metade dos pecuaristas do estado afirmaram terem tido problemas com a falta do insumo natural. Para a recuperação dessas áreas, que já somam mais de 2,2 milhões de hectares em Mato Grosso, de acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), um das alternativas avaliadas é a implantação do sistema de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF).
De acordo com o pesquisador da Embrapa, Armindo Neivo Kichel, a integração da pecuária com outras culturas permite não só a recuperação das pastagens mas também contribui para a qualidade no desenvolvimento do rebanho. "É uma cultura potencializando a outra". Segundo ele, a lista dos benefícios é grande. "Além disso podemos reduzir o uso de agrotóxicos, dos riscos climáticos e mercadológicos e na inibição da abertura de novas áreas", cita.
O produtor Abílio Pacheco, que há quatro anos resolveu adotar o sistema ILPF, relata que a busca pela integração veio no momento de falta disponibilidade de atividades. "Na região onde fica a minha propriedade estava predominando o plantio da cana-de-açúcar. Trabalhar com a agricultura sem precisar sair da pecuária e aliar ainda o plantio de floresta traz benefícios econômicos e ambientais".