A redução na produção de arroz em Mato Grosso na safra 2011/2012 e a falta de oferta do produto no Rio Grande do Sul podem elevar em até 25% o preço do cereal à população. As indústrias no Estado possuem estoques para mais 45 dias e a previsão é que a colheita tenha início somente em meados de março.
As informações são do Sindicato da Indústria de Arroz de Mato Grosso (Sindarroz-MT), que revela que a compra do arroz proveniente do Uruguai e Argentina "para suprir uma possível necessidade" pode auxiliar neste aumento. Para o consumidor, 6% de aumento no preço do cereal já foram repassados neste começo de ano. O pacote de 5 kg pode ser encontrado por até R$ 11,25 nos supermercados.
De acordo com dados da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), Mato Grosso deverá sofrer retração de 47,3% na produção de arroz, que deverá ficar em 419,4 mil toneladas. Diferentemente das 795,9 mil toneladas colhidas na safra 2010/2011. A queda deve-se aos produtores estarem desestimulados quanto ao preço da saca de 60 kg, que chegou a custar R$ 23,07 em junho de 2011 e encerrou o ano em R$ 27. No Rio Grande do Sul, maior produtor de arroz do Brasil, a redução será de 17,2%, caindo de 8,904 milhões de toneladas para 7,371 milhões de toneladas em decorrência da seca.
Além da retração na produção de arroz em Mato Grosso, o produto deve faltar devido às exportações do cereal que devem atingir o recorde de 1,7 milhão de toneladas no período de março de 2011 até fevereiro de 2012. Ainda há como fator a queda na oferta do cereal, atualmente, no Rio Grande do Sul devido aos programa de apoio aos produtores desenvolvidos pelo governo federal terem enxugado o mercado.
Conforme o presidente do Sindarroz-MT, Ivo Mendonça, o aumento de preço ao consumidor "é inevitável". Ele comenta que a redução da base do ICMS do arroz em 8,33%, aprovada no final de 2011 pelo governo do Estado, ajudou aos produtores a venderem o pouco que ainda tinham em estoque, tanto para dentro de Mato Grosso como para outros estados. "Para o consumidor já aumentou 6% o custo do arroz e até o final do ano deverá chegara a 25%. Não sabemos como será a nossa safra e nem a do Rio Grande do Sul, que enfrenta problemas de seca. Saberemos somente a partir de abril", diz Mendonça.
O presidente do SindarrozMT revela que as indústrias mato-grossenses de arroz possuem estoques para atender a demanda interna e externa para mais 45 dias. "Se faltar arroz no Estado com a redução da produção, será pouca coisa".
Uruguai – Segundo Mendonça, caso falte o cereal no Estado o mesmo poderá ser adquirido no Uruguai e na Argentina que são grandes produtores de arroz, já que no Rio Grande do Sul também há problemas na safra. O delegado da Associação dos Supermercados de Mato Grosso junto à Associação Brasileira dos Supermercados (Abras), Altevir Magalhães, confirma que um aumento de preço será inevitável, principalmente se Mato Grosso e o Brasil tiverem de adquirir o arroz do Uruguai e da Argentina, por exemplo. "Somente o fato de se falar em quebra de safra e exportação já significa aumento de preço ao consumidor".
Hoje, nos supermercados é possível ser encontrado o pacote de 5 kg de arroz com preços variando entre R$ 7,19 e R$ 11,25.