Cada vez mais a produção sustentável de soja ganha destaque nas discussões do setor no Brasil e no mundo. Mercados como o europeu, por exemplo, são reconhecidos pela preocupação com uma produção que alie boas práticas e qualidade. Neste ano, entre janeiro e setembro, a Europa importou 1,9 milhão de tonelada de soja de Mato Grosso, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Na semana passada, a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) participou de um projeto inovador realizado pela empresa Cargill, chamado "Learning Journey on Sustainable Soy”(Jornada de Aprendizado sobre a Soja Sustentável). Cerca de 60 pessoas entre importadores, formadores de opinião e representantes de empresas brasileiras visitaram o Brasil para conhecer a produção sustentável de soja no país. O evento teve como um dos principais objetivos permitir um entendimento mais profundo da atual situação da produção brasileira, suas oportunidades e desafios.
O gestor do Núcleo Técnico da Famato, Eduardo Godoi, representou a Famato no evento e acompanhou o grupo em uma visita à região da BR-163, entre Sorriso e Lucas do Rio Verde. "Tive a oportunidade de representar a Famato e ser um porta voz do nosso produtor fortalecendo a ideia que não há no mundo soja mais sustentável do que a nossa", destaca Godoi.
Ele explica que este evento foi inovador, pois levou os importadores, formadores de opinião e as empresas para conhecerem a produção em campo. Os grupos foram divididos em quatro e cada um visitou uma região produtora do Brasil, sendo Ponta Grossa (PR), Santarém (PA), Luis Eduardo Magalhães (BA) e região da BR-163 (Sorriso e Lucas do Rio Verde), em Mato Grosso. Além das visitas, os participantes discutiram, em um seminário realizado em São Paulo, temas considerados centrais para a sustentabilidade da produção de soja no Brasil.
Um dos temas apresentados foi o novo Código Florestal brasileiro e os desafios da sua implantação. "É muito difícil explicar para pessoas de outros países o quanto nosso código é rígido comparado com o restante do mundo. Mas conseguimos mostrar que os produtores brasileiros seguem a legislação, apesar da sua complexidade. Falamos também sobre tendências e perspectivas para o desmatamento e pudemos deixá-los bem tranquilos de que a sojicultura hoje necessita de muito pouco ou quase nada de novas áreas, pois temos uma grande quantidade de pastagens aptas para serem transformadas em agricultura", disse o gestor da Famato.
As boas práticas de produção da soja também foram destacadas nos debates. "Mostramos que a sojicultura brasileira já implementou práticas como o plantio direto, segunda e até terceira safras e integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF). Mas o que mais chamou a atenção dos estrangeiros foi a prática de devolução e reciclagem de embalagens de agroquímicos. Eles não tinham noção do quanto somos responsáveis neste ponto e ficaram impressionados", destacou Godoi, acrescentando que a questão trabalhista também foi pauta do seminário.
"Creio que conseguimos passar a mensagem de que aqui no Brasil já produzimos soja com sustentabilidade, que já evoluímos bastante e, principalmente, que ao sermos comparados aos nossos concorrentes, que são os Estados Unidos, a Argentina, China e o Paraguai, com toda certeza não há lugar que produza soja com tanta sustentabilidade como é o caso do Brasil. Já somos um modelo, só precisamos transformar isso em um diferencial competitivo, principalmente para o mercado europeu que é o mais exigente", finalizou.
A Famato é a entidade que representa os 87 sindicatos rurais existentes em Mato Grosso. Junto com o Imea e o Senar-MT, forma o Sistema Famato. Acompanhe-nos nas redes sociais, pelo Facebook (https://www.facebook.com/sistemafamato) e pelo perfil no Twitter (@sistemafamato).