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16/09/2013

Porto de Santos enfrenta crise de infraestrutura

Fonte: siteadmin
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A infraestrutura é o maior problema do Porto de Santos (SP), hoje em dia. A afirmação vem dos próprios terminais exportadores que revelam que um caminhão chega a levar 12h para fazer 25 km. Para maior agilidade e menos filas de caminhões, o ideal, apontam os terminais, seria trabalhar com 80% do transporte até Santos em trens e não 30% como hoje. Terminais como o Terminal Exportador do Guarujá (TEG), de onde sai cerca de 2 milhões de toneladas (t) de soja de Mato Grosso, projetam investimentos de aproximadamente US$ 200 milhões para remodelá-los para assim ampliar sua capacidade.

 

Administrado compartilhadamente pelas multinacionais Cargill e Louis Dreyfus Comodities (LDC), o Terminal do Guarujá hoje possui uma capacidade para armazenar 90 mil t de grãos e 100 mil t de açúcar. Por ano, conforme o gerente geral do Terminal, Welber Curi, cerca de 5,3 milhões t são escoadas pelo Terminal do Guarujá, sendo 2 milhões de t de soja de Mato Grosso. “O Porto de Santos está no seu limite para grãos, mas cremos que com a abertura da BR-163 para o norte do país, haverá certo equilíbrio. Entretanto, no Terminal do Guarujá estamos com projeto de ampliar de 5,3 milhões de t ano os embarques para 8 a 9 milhões, podendo chegar a 12 milhões de t”, disse Curi em palestra aos 30 jovens que participaram do projeto Futuros Produtores do Brasil 2013, desenvolvido pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. 

 

Por dia, diz Curi, chegam ao Terminal do Guarujá cerca de 600 caminhões e 200 vagões com soja, milho, açúcar e farelo. “O terminal tem total controle de sua logística, tanto que para evitar filas de caminhões e os deixar parados na estrada orientados aos motoristas a usarem um pátio para caminhões no município de Cubatão, com capacidade para 200 vagas, para aguardarem a hora de descarregar conosco”.

 

Por Santos são escoadas cerca de 60% da produção de MT. Somente a soja em grão produzida no Estado 60% é enviada para o exterior pelos terminais do Porto de Santos. Conforme o gestor técnico da Famato, Eduardo Godoi, a expectativa com a conclusão da BR-163 é que se dependa menos do Porto de Santos, onde hoje um caminhão com a nova lei dos motoristas leva cerca de uma semana para chegar.

 

Preço do milho em MT é R$ 15 mais baixo do que o vendido em SP 
Questão da formação de preço foi debatida na BM&F Bovespa, em São Paulo 

 

A péssima logística verificada em Mato Grosso faz com que os produtores de milho recebam cerca de R$ 15 a menos que os produtores do cereal em São Paulo, tanto dentro quanto fora das vendas realizadas através da maior bolsa de valores da América Latina, a BM&F Bovespa. Na sexta-feira (13), a saca de 60 quilos do cereal em Sorriso era vista em média a R$ 7,83, enquanto em Campinas (SP), local de formação do preço futuro do milho no Brasil, estava R$ 25,50. 

 

A questão da formação de preço foi debatida durante palestra realizada no dia 6 de setembro, pelo gerente de Serviços em Commodities da BM&F Bovespa, em São Paulo (SP), Luiz Cláudio Caffagni, para 30 jovens mato-grossenses participantes do programa Futuros Produtores do Brasil, desenvolvido pela Federação da Agricultura e Pecuária (Famato) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/Mato Grosso).

 

“O setor de produção agropecuário é tomador de preço, ou seja, não é ele quem determina o preço da commodity”, salientou Caffagni. Segundo ele, quem de fato é formador de preço é o consumidor.

 

Caffagni comenta que no mercado de commodities existem diversos riscos, sendo o de preço um deles, bem como o clima. No caso do milho o maior risco é a queda de preço, como se está verificando em Mato Grosso, visto a safra recorde de 21,9 milhões de toneladas.
De acordo com o diretor executivo da Famato, Seneri Paludo, além do risco dos preços caírem devido o grande volume de produção, a logística é outro fator, no caso de Mato Grosso, que faz com que os preços caiam ainda mais. “Isso é tanto em comparação a São Paulo quanto o Paraná, onde estão a maioria das granjas do Brasil. A logística tem impedido a competitividade de preços”, frisa.

 

Conforme o gerente de Serviços em Commodities da BM&F Bovespa, se houver preço aberto no mercado futuro para os próximos meses para safra 2013/2014 já se pode vender. “Contudo, é preciso ver o custo de produção para ver se vale a pena para a relação de troca e venda”.

 

Assim como via tradings, é possível através da bolsa de valores se realizar a venda das commodities.
Hoje, a BM&F Bovespa conta com 475 empresas de capital aberto. Entre as ações mais negociadas a Vale (antiga Vale do Rio Doce), Petrobras e Itaú. Todos os dias são negociados cerca de US$ 83 bilhões.

 

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