{"id":2915,"date":"2025-07-15T14:07:33","date_gmt":"2025-07-15T18:07:33","guid":{"rendered":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/sindicatos-rurais\/?p=2915"},"modified":"2025-07-15T14:07:33","modified_gmt":"2025-07-15T18:07:33","slug":"produtores-participam-de-debate-sobre-a-compensacao-por-servicos-ambientais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/sindicatos-rurais\/2025\/07\/15\/produtores-participam-de-debate-sobre-a-compensacao-por-servicos-ambientais\/","title":{"rendered":"Produtores participam de debate sobre a compensa\u00e7\u00e3o por servi\u00e7os ambientais"},"content":{"rendered":"\n<p> <strong><em>Assessoria Sindicato Rural de Pocon\u00e9<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Foi instaurada uma C\u00e2mara Setorial na Assembleia Legislativa de Mato Grosso para debater o Pagamento por Servi\u00e7os Ambientais (PSA) voltado aos produtores rurais do Pantanal mato-grossense. A iniciativa tem o objetivo de aprimorar o texto do Projeto de Lei 442\/2025, de autoria do deputado estadual Jo\u00e3o Jos\u00e9 de Matos \u2013 Dr. Jo\u00e3o (MDB) \u2013 que institui o PSA, e ainda discutir os indicadores e as formas de medi-los de maneira transparente e confi\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Proposta pelo deputado Dr. Jo\u00e3o e aprovada pelos demais parlamentares da Casa, a c\u00e2mara contar\u00e1 com a participa\u00e7\u00e3o de entidades ligadas \u00e0 atividade, como a Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria de Mato Grosso (Famato), al\u00e9m das secretarias de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Fazenda. O Sindicato Rural de Pocon\u00e9 foi convidado a participar como representante dos produtores pantaneiros.<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente do Sindicato Rural de Pocon\u00e9, Ricardo Arruda,  v\u00ea o in\u00edcio da discuss\u00e3o como uma luz para os produtores que ainda resistem no Pantanal. \u201cA sobreviv\u00eancia econ\u00f4mica, a preserva\u00e7\u00e3o ambiental e a cultura pantaneira se fundem \u00e0 atividade pecu\u00e1ria. No entanto, precisamos de incentivos e de um olhar diferenciado, porque n\u00f3s cuidamos do Pantanal, mas est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil manter as \u00e1reas produtivas e preservadas\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa da Famato e do Sindicato Rural de Pocon\u00e9 \u00e9 que a primeira reuni\u00e3o da C\u00e2mara Tem\u00e1tica ocorra em agosto, ap\u00f3s o recesso da Assembleia. Na ocasi\u00e3o, ter\u00e3o in\u00edcio \u00e0s discuss\u00f5es sobre o tema, com a participa\u00e7\u00e3o efetiva dos pantaneiros, al\u00e9m da apresenta\u00e7\u00e3o de propostas, notas t\u00e9cnicas e pesquisas cient\u00edficas que possam contribuir para a formata\u00e7\u00e3o de um projeto com indicadores de sustentabilidade confi\u00e1veis, que servir\u00e3o de base para cria\u00e7\u00e3o de um fundo espec\u00edfico para o Pantanal. Nele, poder\u00e3o ser aportados recursos de empresas interessadas em compensar impactos ambientais, de governos e tamb\u00e9m de entidades estrangeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>O analista em pecu\u00e1ria da Famato, Marcos Carvalho, explica que, atualmente, o bioma Pantanal depende mais dos pecuaristas do que os pecuaristas dele. Segundo ele, 95% do Pantanal mato-grossense est\u00e1 em propriedades privadas, e o bioma \u00e9 um dos mais preservados do pa\u00eds, com 84% de vegeta\u00e7\u00e3o nativa conservada.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o especialista, essa preserva\u00e7\u00e3o se deve \u00e0 habilidade secular de manejo, que promove a limpeza dos campos, a manuten\u00e7\u00e3o dos pastos nativos e a preven\u00e7\u00e3o de inc\u00eandios florestais. No entanto, trata-se de um tipo de trabalho que envolve altos custos, j\u00e1 que o pr\u00f3prio bioma imp\u00f5e obst\u00e1culos log\u00edsticos e ambientais que encarecem a produ\u00e7\u00e3o e colocam os pecuaristas pantaneiros em desvantagem competitiva no mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHoje, \u00e9 poss\u00edvel desenvolver a pecu\u00e1ria em v\u00e1rias regi\u00f5es do Estado. Contudo, sem a pecu\u00e1ria, as \u00e1reas do Pantanal ser\u00e3o tomadas por esp\u00e9cies invasoras e, sem limpeza, haver\u00e1 obstru\u00e7\u00e3o das passagens de \u00e1gua, aumento da mat\u00e9ria org\u00e2nica, crescimento dos inc\u00eandios florestais e perda da biodiversidade local\u201d, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, a compensa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica pelos investimentos dos pantaneiros na preserva\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 uma reivindica\u00e7\u00e3o leg\u00edtima da classe produtiva. Muitos produtores j\u00e1 migraram para outras regi\u00f5es, e as propriedades abandonadas tornaram-se um problema crescente no bioma.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o pesquisador da Embrapa, Walfrido Moraes Tomas, o Pantanal Mato-grossense \u00e9 um exemplo de que produ\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o podem caminhar juntas. No entanto, ele ressalta que as propriedades da regi\u00e3o s\u00e3o maiores, mas a \u00e1rea produtiva \u00e9 reduzida durante parte do ano devido \u00e0s cheias e secas t\u00edpicas do bioma.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das dificuldades, Tomas afirma que a atividade produtiva deve ser mantida, pois oferece servi\u00e7os ecossist\u00eamicos estrat\u00e9gicos e ainda produz uma carne de alta qualidade, em raz\u00e3o da pastagem natural e do sistema extensivo de cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, segundo o pesquisador, a presen\u00e7a do pecuarista no Pantanal \u00e9 essencial para a preserva\u00e7\u00e3o do bioma. Por\u00e9m, sua perman\u00eancia precisa ser vi\u00e1vel economicamente, considerando que, ao longo dos anos, os criadores foram empobrecendo em raz\u00e3o de restri\u00e7\u00f5es ambientais e pol\u00edticas p\u00fablicas insuficientes. Segundo ele, os desafios da pecu\u00e1ria na regi\u00e3o come\u00e7aram com a grande cheia de 1974, que trouxe grandes preju\u00edzos aos produtores e reduziu as \u00e1reas dispon\u00edveis para o rebanho.<\/p>\n\n\n\n<p>As cheias impactaram fortemente a regi\u00e3o at\u00e9 meados dos anos 1990. Como consequ\u00eancia, houve abandono de fazendas e danos ambientais, j\u00e1 que a aus\u00eancia da atividade pecu\u00e1ria levou \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da limpeza das pastagens, ao aumento de esp\u00e9cies invasoras e \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do manejo \u2014 como ro\u00e7adas e queimadas controladas.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, os produtores passaram a sofrer com press\u00f5es internacionais por preserva\u00e7\u00e3o ambiental. Essa cobran\u00e7a chegou a um Pantanal j\u00e1 empobrecido economicamente e, por consequ\u00eancia, fragilizado politicamente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como fazer o pagamento&nbsp;<\/strong>&#8211; Uma das solu\u00e7\u00f5es para manter a biodiversidade no pantanal \u00e9 o Pagamento por Servi\u00e7os Ambientais (PSA). Tomas afirma que a tend\u00eancia mundial \u00e9 remunerar quem preserva, e que a principal dificuldade est\u00e1 na defini\u00e7\u00e3o de m\u00e9tricas e indicadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Mato Grosso j\u00e1 avan\u00e7a nessa dire\u00e7\u00e3o por meio do projeto Fazendas Pantaneiras Sustent\u00e1veis (FPS), desenvolvido pela Famato em parceria com a Embrapa, com a participa\u00e7\u00e3o de 15 propriedades na regi\u00e3o do pantanal.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, por meio de um software, essas \u00e1reas s\u00e3o avaliadas com base em 57 indicadores cient\u00edficos que atestam seus impactos ambientais, econ\u00f4micos e sociais. Os resultados comprovam o grau de sustentabilidade de cada uma das propriedades e permitem a valora\u00e7\u00e3o delas, o que pode servir de base para o futuro pagamento pelos servi\u00e7os ambientais prestados.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m desta metodologia, o pesquisador disse que outras est\u00e3o sendo desenvolvidas pela Embrapa com a mesma finalidade. Em todos os casos, o objetivo \u00e9 ter n\u00fameros confi\u00e1veis e que possam ser extra\u00eddos de maneira mais r\u00e1pida, eficaz e barata.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assessoria Sindicato Rural de Pocon\u00e9 Foi instaurada uma C\u00e2mara Setorial na Assembleia Legislativa de Mato Grosso para debater o Pagamento por Servi\u00e7os Ambientais (PSA) voltado aos produtores rurais do Pantanal mato-grossense. A iniciativa tem o objetivo de aprimorar o texto do Projeto de Lei 442\/2025, de autoria do deputado estadual Jo\u00e3o Jos\u00e9 de Matos \u2013 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":2916,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[268],"tags":[],"class_list":["post-2915","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-pocone"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/sindicatos-rurais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2915","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/sindicatos-rurais\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/sindicatos-rurais\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/sindicatos-rurais\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/sindicatos-rurais\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2915"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/sindicatos-rurais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2915\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2917,"href":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/sindicatos-rurais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2915\/revisions\/2917"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/sindicatos-rurais\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2916"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/sindicatos-rurais\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2915"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/sindicatos-rurais\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2915"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/sindicatos-rurais\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2915"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}