{"id":9524,"date":"2015-04-20T11:12:13","date_gmt":"2015-04-20T14:12:13","guid":{"rendered":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/senarmt\/2015\/04\/20\/joao-carlos-martins-e-um-exemplo-de-superacao-mas-ele-diz-que-e-teimosia\/"},"modified":"2015-04-20T11:12:13","modified_gmt":"2015-04-20T14:12:13","slug":"joao-carlos-martins-e-um-exemplo-de-superacao-mas-ele-diz-que-e-teimosia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/senarmt\/2015\/04\/20\/joao-carlos-martins-e-um-exemplo-de-superacao-mas-ele-diz-que-e-teimosia\/","title":{"rendered":"Jo\u00e3o Carlos Martins \u00e9 um exemplo de supera\u00e7\u00e3o, mas ele diz  que \u00e9 teimosia"},"content":{"rendered":"<p>\n&quot;Se deixamos de sonhar podemos viver, &nbsp;mas deixamos de existir. Eu quero existir &nbsp;atrav&eacute;s da m&uacute;sica&quot;. Foi&nbsp; com esta frase&nbsp; de Charles Chaplin que o pianista e maestro Jo&atilde;o Carlos Martins, de forma simples e direta disse que sua hist&oacute;ria n&atilde;o &eacute; de supera&ccedil;&atilde;o, mas sim de teimosia. Mesmo com todas as dificuldades e barreiras, ele, aos 75 anos,&nbsp; toca piano, rege e ainda ensina.<\/p>\n<p>\n&nbsp;<\/p>\n<p>\nSe preparando para 23&ordf; cirurgia, ele conta que teve que abandonar a m&uacute;sica diversas vezes em fun&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios acidentes e incidentes em sua vida. Mesmo sentido dores, Jo&atilde;o Carlos ainda toca e se diz&nbsp; realizado quando se senta ao piano. Na tarde de sexta-feira (15.04),&nbsp; ele emocionou&nbsp; mais de 400 pessoas que participavam do Parceria Sindical.<\/p>\n<p>\n&nbsp;<\/p>\n<p>\nConsiderado o maior interprete de Johann Sebastian Bach, Jo&atilde;o Carlos diz que a&nbsp; m&uacute;sica explica que Deus existe e aproxima povos, na&ccedil;&otilde;es e segmentos da sociedade. &quot;Tenho certeza que o setor rural pode se unir a qualquer outro &nbsp;atrav&eacute;s da m&uacute;sica. E posso garantir que este &eacute; um&nbsp; dos segmentos que mais tem dado esperan&ccedil;a para os brasileiros&quot;, enfatiza.<\/p>\n<p>\n&nbsp;<\/p>\n<p>\nA hist&oacute;ria de Jo&atilde;o Carlos come&ccedil;a &nbsp;com o pai portugu&ecirc;s chamado Jos&eacute; que apesar de trabalhar numa &nbsp;gr&aacute;fica era fascinado pelo piano. Todos os dias, ap&oacute;s o expediente parava em frente a uma escola para assistir as aulas. Ganhou a oportunidade de aprender a tocar gratuitamente. Faltando tr&ecirc;s dias para come&ccedil;ar a realizar o sonho, a prensa da gr&aacute;fica onde trabalhava lhe decepou-lhe o polegar e o sonho acabou. Mesmo assim, Jos&eacute; n&atilde;o desistiu, transferiu a paix&atilde;o pelo piano para os filhos. J&aacute; rico e emigrado em S&atilde;o Paulo, teve dois filhos, ambos pianistas reconhecidos.<\/p>\n<p>\n&nbsp;<\/p>\n<p>\nJo&atilde;o Carlos come&ccedil;ou seus estudos ainda menino e sua carreira foi r&aacute;pida. Aos 11 anos j&aacute; estudava piano seis horas por dia. Teve aulas com os professores mais famosos n&atilde;o s&oacute; do Brasil, como de v&aacute;rias outras partes do mundo. Seus primeiros concertos trouxeram a aten&ccedil;&atilde;o de toda a cr&iacute;tica musical mundial. Foi escolhido no Festival Casals, dentre in&uacute;meros candidatos das tr&ecirc;s Am&eacute;ricas para dar o Recital Pr&ecirc;mio em Washington.&nbsp; Aos 20 anos estreou no Carnegie Hall, tocou com as maiores orquestras norte americanas e gravou a obra de Bach completa para o piano. Foi Jo&atilde;o Carlos Martins que inaugurou o Glenn Gould Memorial em Toronto.<\/p>\n<p>\n&nbsp;<\/p>\n<p>\nEste &eacute; o resumo de uma hist&oacute;ria de sucesso, mas o pianista e maestro viu seu sonho morrer por diversas vezes. &nbsp;Em 1965, em um jogo treino da Portuguesa realizado no Central Park, Nova Iorque, ele foi convidado para integrar o time, mas teve uma queda, que perfurou seu bra&ccedil;o direito na altura do cotovelo, atingindo o nervo ulnar, &nbsp;provocando atrofia em tr&ecirc;s dedos, obrigando-o a parar de tocar por um ano. Mesmo assim, tocou com dificuldade, at&eacute; os 30 anos. Voltou ao Brasil e tornou-se empres&aacute;rio de m&uacute;sica e boxe por sete anos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>\n&nbsp;<\/p>\n<p>\nSem alternativa teve que parar de tocar. Mas n&atilde;o desistiu. Voltou aos palcos, com muita dificuldade, e depois de longos per&iacute;odos de fisioterapia, retornou foi aclamado pelo p&uacute;blico e recebeu criticas positivas. Entretanto desenvolveu Dist&uacute;rbios osteomusculares relacionados ao trabalho (Dort), que mais uma vez fez com que ele deixasse os palcos. Nesta &eacute;poca resolveu se dedicar a fase de empres&aacute;rio na &aacute;rea pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>\n&nbsp;<\/p>\n<p>\nPor&eacute;m Jo&atilde;o Carlos nunca desistiu da m&uacute;sica. Ele superou as dores, o tempo dedicado a fisioterapia e buscou adapta&ccedil;&otilde;es para continuar tocando. Entre 1979 a 1985, mesmo com todas as sequelas gravou boa parte da obra de Bach. Conseguiu recuperar o p&uacute;blico, e gravar praticamente toda a obra de Bach. Ele conta que muitas vezes ao terminar o concerto, o teclado ficava manchado de sangue.<\/p>\n<p>\n&nbsp;<\/p>\n<p>\nMas a vida de supera&ccedil;&atilde;o ainda lhe reservava muitos desafios. Em 20 de maio de 1995, em um assalto, na cidade de Sofia na Bulgaria, Jo&atilde;o Carlos foi golpeado na cabe&ccedil;a com uma barra de ferro, provocando uma sequela neurol&oacute;gica que comprometeu o membro superior direito. Para se recuperar teve que fazer trabalhos de reprograma&ccedil;&atilde;o cerebral para conseguir movimentar a m&atilde;o direita. Ele conseguiu voltar a tocar com as duas m&atilde;os, entretanto voltou a apresentar problemas no bra&ccedil;o direito, e tamb&eacute;m na fala e teve que ser submetido a um novo procedimento cir&uacute;rgico. Mesmo com tudo isso n&atilde;o desistiu e gravou seu &uacute;ltimo &aacute;lbum com as duas m&atilde;os.<\/p>\n<p>\n&nbsp;<\/p>\n<p>\nEm 2001, grava o &aacute;lbum <em>S&oacute; para M&atilde;o Esquerda<\/em>, escrito por Paul Wittgenstein que perdeu o membro direito na Primeira Guerra Mundial. A inten&ccedil;&atilde;o era de gravar oito &aacute;lbuns apenas para a m&atilde;o esquerda.<\/p>\n<p>\n&nbsp;<\/p>\n<p>\nEntretanto, com o passar dos anos desenvolveu na m&atilde;o esquerda uma doen&ccedil;a chamada contratura de Dupuytren, que provocada, al&eacute;m da pr&oacute;pria contratura, o espessamento da fascia palmar. Fora submetido de novo a um procedimento cir&uacute;rgico, que n&atilde;o impediu que perdesse os movimentos da m&atilde;o esquerda, inviabilizando tocar piano. Novamente teve que parar de tocar, e dessa vez acreditou seria para sempre.<\/p>\n<p>\n&nbsp;<\/p>\n<p>\nSegundo ele, em 2003 estava sem rumo e j&aacute; sabia que n&atilde;o poderia mais tocar com a m&atilde;o esquerda. Nesta fase, ele conta que teve um sonho. &quot;Sonhei que estava tocando piano com Eleazar de Carvalho e ele me dizia: vem pra ca que vou que te ensinar a reger&quot;. Incapaz de segurar a batura ou virar as p&aacute;ginas das partituras dos concertos, Jo&atilde;o Carlos se dedica a um trabalho minucioso de memorizar nota por nota. Com isso come&ccedil;ou a desenvolver a distonia no membro superior esquerdo, que produz movimentos involunt&aacute;rios, e o impede de reger.<\/p>\n<p>\n&nbsp;<\/p>\n<p>\nEm maio de 2004, esteve em Londres regendo a English Chamber Orchestra,&nbsp; uma das maiores orquestras de c&acirc;mara do mundo, numa grava&ccedil;&atilde;o dos seis Concertos Branndenburguenses de Bach e, j&aacute; em dezembro, realizou a grava&ccedil;&atilde;o das Quatro Su&iacute;tes Orquestrais de Bach com a Bachiana Chamber Orchestra. Os&nbsp; dois primeiros CDs foram lan&ccedil;ados internacionalmente.<\/p>\n<p>\n&nbsp;<\/p>\n<p>\nEm fevereiro de 2004 o cr&iacute;tico ingl&ecirc;s descreve na International Piano Magazine um epis&oacute;dio pitoresco que aconteceu na vida de Jo&atilde;o Carlos Martins, quando ap&oacute;s um recital no Carnegie Hall, no final dos anos 60, recebeu uma recomenda&ccedil;&atilde;o de Salvador Dali: &quot;Diga a todos que voc&ecirc; &eacute; o maior int&eacute;rprete de Bach, algum dia v&atilde;o acreditar. Faz muitos anos que digo ser o maior pintor do mundo e j&aacute; h&aacute; gente que acredita&quot;. O cr&iacute;tico termina dizendo que Jo&atilde;o Carlos Martins n&atilde;o teve que esperar tanto tempo.<\/p>\n<p>\n&nbsp;<\/p>\n<p>\nEm 2012 ele se submeteu a uma cirurgia no c&eacute;rebro para a implanta&ccedil;&atilde;o de dois eletrodos do c&eacute;rebro, com um estimulador eletr&ocirc;nico no peito, para recuperar os movimentos da m&atilde;o esquerda, atrofiada. J&aacute; que estava com a distonia bem avan&ccedil;ada, atingindo todo o bra&ccedil;o e n&atilde;o abria a m&atilde;o h&aacute; 10 anos. Logo ap&oacute;s a apresenta&ccedil;&atilde;o no Parceria Sindical ele conta que se prepara para a 23&ordf; cirurgia.<\/p>\n<p>\n&nbsp;<\/p>\n<p>\nEsta &eacute; uma pequena parte da hist&oacute;ria de Jo&atilde;o Carlos Martins. Mesmo assim, apesar de todas as dificuldades e dores que ele sente, ainda continua tocando e regendo. Al&eacute;m de todos estes desafios enfrentados e diversos outros que aconteceram ao longo da sua vida, Jo&atilde;o Carlos realiza na Faculdade de M&uacute;sica da Amaz&ocirc;nia (FAAM), um programa de introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; m&uacute;sica com jovens carentes.<\/p>\n<p>\n&nbsp;<\/p>\n<p>\nNa apresenta&ccedil;&atilde;o da &uacute;ltima sexta-feira (15.04), Jo&atilde;o Carlos Martins contou com a parceria do violinista da Orquestra Bachiana Filarm&ocirc;nica do Sesi de S&atilde;o Paulo, Renato Yokota.<\/p>\n<p>\n&nbsp;<\/p>\n<p>\nO Senar-MT faz parte de um conjunto de entidades que formam o Sistema Famato. Essas entidades d&atilde;o suporte para o desenvolvimento sustent&aacute;vel do agroneg&oacute;cio e representam os interesses dos produtores rurais do Estado. &Eacute; formado ainda pela Famato, Imea e pelos 88 sindicatos rurais do Estado. O Senar est&aacute; no Facebook e no Instagram. 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