{"id":9201,"date":"2017-11-08T11:21:32","date_gmt":"2017-11-08T13:21:32","guid":{"rendered":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/senarmt\/2017\/11\/08\/o-tripe-do-sucesso-da-pesquisa-americana\/"},"modified":"2017-11-08T11:21:32","modified_gmt":"2017-11-08T13:21:32","slug":"o-tripe-do-sucesso-da-pesquisa-americana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/senarmt\/2017\/11\/08\/o-tripe-do-sucesso-da-pesquisa-americana\/","title":{"rendered":"O trip\u00e9 do sucesso da pesquisa americana"},"content":{"rendered":"<p>\nPor Ot&aacute;vio Celidonio<\/p>\n<p>&Agrave;s vezes temos a impress&atilde;o que faltam recursos para a pesquisa no Brasil. Entretanto, os dados do Banco Mundial indicam que a nossa situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; t&atilde;o ruim assim. Dentre os 82 pa&iacute;ses, o Brasil ocupa a 29&ordf; posi&ccedil;&atilde;o em percentual do Produto Interno Bruto (PIB) investido em pesquisa, isso significa que investimos 1,17%. Quando analisamos o valor absoluto, a situa&ccedil;&atilde;o melhora muito. Empenhamos o 9&ordm;. maior volume de recursos em pesquisa do mundo com mais de U$ 28 bilh&otilde;es investidos em 2014.<\/p>\n<p>O contingente de pesquisadores tamb&eacute;m &eacute; relevante. Apesar de termos apenas a 46&ordf; maior rela&ccedil;&atilde;o de pesquisadores por milh&atilde;o de habitantes, temos o 10&ordm;. maior volume, com mais de 137 mil pesquisadores. Consequentemente, o total de recursos por cada um ultrapassa os 200 mil d&oacute;lares por ano, nos colocando na 17&ordf; posi&ccedil;&atilde;o neste quesito.<\/p>\n<p>Talvez a percep&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o investimos muito em pesquisa exista porque temos a sensa&ccedil;&atilde;o de que pouco dessa pesquisa volta para o mundo real. Infelizmente, o baixo n&iacute;vel de inova&ccedil;&atilde;o do Brasil corrobora com esta tese, como aponta o ranking global de inova&ccedil;&atilde;o (INSEAD 2017), que coloca o Brasil sobre a 69&ordf; posi&ccedil;&atilde;o dentre 127 pa&iacute;ses.<br \/>\nA an&aacute;lise fria dos n&uacute;meros n&atilde;o revela gargalos como a burocracia, inefici&ecirc;ncia e m&aacute; distribui&ccedil;&atilde;o dos recursos &#8211; que certamente s&atilde;o grandes pedras no caminho da pesquisa nacional &#8211; mas tamb&eacute;m nos faz pensar sobre o nosso modelo de desenvolvimento de pesquisa.<\/p>\n<p>Junto com grupo de t&eacute;cnicos e diretores da Federa&ccedil;&atilde;o da Agricultura de Mato Grosso (Famato), Instituto de Economia Agropecu&aacute;ria (Imea), Servi&ccedil;o Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR-MT), Associa&ccedil;&atilde;o do Produtores de Soja e Milho (Aprosoja) e Universidade Federal de MATO Grosso (UFMT), no &uacute;ltimo m&ecirc;s de outubro, tivemos a incr&iacute;vel oportunidade de conhecer importantes universidades americanas e refletir sobre o nosso modelo de pesquisa olhando um pa&iacute;s l&iacute;der em v&aacute;rios dos rankings apresentados.<\/p>\n<p>Passamos pelas universidades de Ohio, Minessota e Texas. Para n&oacute;s, o grande objetivo era entender o motivo do sucesso dos americanos. A resposta n&atilde;o veio no entendimento de como eles vencem a burocracia, inefici&ecirc;ncia e m&aacute; distribui&ccedil;&atilde;o, mas em como a pesquisa se integra com o ensino e a extens&atilde;o.<\/p>\n<p>Foi uma verdadeira aula. N&atilde;o &eacute; &agrave; toa que os Estados Unidos da Am&eacute;rica (EUA) ocupam um espa&ccedil;o t&atilde;o importante na economia mundial. Diferente do Brasil, l&aacute; as universidades realmente desenvolvem o trip&eacute; ensino, pesquisa e extens&atilde;o. E n&atilde;o &eacute; coisa recente. A base estabelecida deste trip&eacute; foi dada em 1.862 pelo senador americano Justin Smith Morrill, que criou as chamadas Land Grant Universities ou, com uma tradu&ccedil;&atilde;o livre, Grandes Universidades P&uacute;blicas.<\/p>\n<p>Assim, o governo americano doaria terras e recursos para que al&eacute;m do ensino, estas universidades tivessem condi&ccedil;&otilde;es de realizar pesquisa e extens&atilde;o. Vale ressaltar, que mesmo nestas universidades p&uacute;blicas o ensino &eacute; pago, sendo oferecido gratuitamente apenas os resultados de pesquisa e as a&ccedil;&otilde;es de extens&atilde;o.<\/p>\n<p>Este modelo &eacute; levado t&atilde;o a s&eacute;rio que os profissionais s&atilde;o contratados com dedica&ccedil;&atilde;o especificada em contrato. Ou seja, o percentual de dedica&ccedil;&atilde;o pode variar de zero a 100 podendo incluir um, dois ou at&eacute; os tr&ecirc;s pilares dos eixos ensino, pesquisa e extens&atilde;o. Em Minessota, por exemplo tem percentuais que diferem, mas tem apenas dois perfis de atua&ccedil;&atilde;o, ou pesquisadores\/extensores ou pesquisadores\/professores.<\/p>\n<p>Apesar de simples este modelo tem uma relev&acirc;ncia estrat&eacute;gica gigantesca, pois a extens&atilde;o garante o pleno acesso aos problemas de quem produz. Quando o pesquisador &eacute; extensionista, ele recebe diretamente o feedback do seu produto e, mesmo quando este pesquisador n&atilde;o faz extens&atilde;o, sempre haver&aacute; um na porta ao lado.<\/p>\n<p>Aqui no Brasil, de maneira geral, as universidades p&uacute;blicas t&ecirc;m como foco ensino e pesquisa. Na outra ponta temos as entidades que fazem pesquisa e extens&atilde;o, como a Embrapa, Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assist&ecirc;ncia e Extens&atilde;o Rural (Empaer) e o pr&oacute;prio SENAR-MT. Entre estes dois mundos, al&eacute;m das barreiras burocr&aacute;ticas, existem tamb&eacute;m barreiras institucionais, ideol&oacute;gicas, culturas e at&eacute; pessoais travando o fluxo de informa&ccedil;&otilde;es e efetividade dos servi&ccedil;os.<\/p>\n<p>Mudar o modelo de funcionamento das nossas universidades seria a melhor op&ccedil;&atilde;o, mas certamente n&atilde;o &eacute; a mais vi&aacute;vel, j&aacute; que al&eacute;m de recursos, falta o longo caminho da forma&ccedil;&atilde;o de capital humano para o fim de extens&atilde;o.<\/p>\n<p>Al&eacute;m de reconhecer o problema, talvez a solu&ccedil;&atilde;o mais vi&aacute;vel seja n&oacute;s, como sociedade civil, assumirmos a comunica&ccedil;&atilde;o entre a pesquisa, extens&atilde;o e ensino, j&aacute; que esta &eacute; a mais afetada pelos resultados destes pilares. Certamente esta n&atilde;o &eacute; a solu&ccedil;&atilde;o mais f&aacute;cil, j&aacute; que implica em uma mudan&ccedil;a cultural, mas este seria o melhor rem&eacute;dio para v&aacute;rios dos males que as institui&ccedil;&otilde;es brasileiras padecem atualmente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ot&aacute;vio Celidonio &Agrave;s vezes temos a impress&atilde;o que faltam recursos para a pesquisa no Brasil. Entretanto, os dados do Banco Mundial indicam que a nossa situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; t&atilde;o ruim assim. Dentre os 82 pa&iacute;ses, o Brasil ocupa a 29&ordf; posi&ccedil;&atilde;o em percentual do Produto Interno Bruto (PIB) investido em pesquisa, isso significa que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2133,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"advgb_blocks_editor_width":"","advgb_blocks_columns_visual_guide":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-9201","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"acf":[],"author_meta":{"display_name":"siteadmin","author_link":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/senarmt\/author\/siteadmin\/"},"featured_img":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/senarmt\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/11\/08112017112110-300x220.jpg","coauthors":[],"tax_additional":{"categories":{"linked":["<a href=\"https:\/\/sistemafamato.org.br\/senarmt\/category\/geral\/\" class=\"advgb-post-tax-term\">Geral<\/a>"],"unlinked":["<span class=\"advgb-post-tax-term\">Geral<\/span>"]}},"comment_count":"0","relative_dates":{"created":"Publicado 8 anos atr\u00e1s","modified":"Atualizado 8 anos atr\u00e1s"},"absolute_dates":{"created":"Publicado em 8 de novembro de 2017","modified":"Atualizado em 8 de novembro de 2017"},"absolute_dates_time":{"created":"Publicado em 8 de novembro de 2017 11:21","modified":"Atualizado em 8 de novembro de 2017 11:21"},"featured_img_caption":"","series_order":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/senarmt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9201","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/senarmt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/senarmt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/senarmt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/senarmt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9201"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/senarmt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9201\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/senarmt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2133"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/senarmt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9201"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/senarmt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9201"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/senarmt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9201"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}