{"id":455949,"date":"2023-07-03T07:30:00","date_gmt":"2023-07-03T11:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/senarmt\/?p=455949"},"modified":"2023-07-03T11:02:12","modified_gmt":"2023-07-03T15:02:12","slug":"morte-roubo-terra-umida-um-caminho-dificil-ate-as-portas-se-abrirem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistemafamato.org.br\/senarmt\/2023\/07\/03\/morte-roubo-terra-umida-um-caminho-dificil-ate-as-portas-se-abrirem\/","title":{"rendered":"Morte, roubo, terra \u00famida: Um caminho dif\u00edcil at\u00e9 \u2018as portas se abrirem\u2019"},"content":{"rendered":"\n<p>Conhe\u00e7a a hist\u00f3ria emocionante de Maria Borges, produtora de leite em Santa Catarina<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sharer.php?u=https%3A%2F%2Fcnabrasil.org.br%2Fnoticias%2Fmorte-roubo-terra-umida-um-caminho-dificil-ate-as-portas-se-abrirem\"><\/a><a href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?url=https%3A%2F%2Fcnabrasil.org.br%2Fnoticias%2Fmorte-roubo-terra-umida-um-caminho-dificil-ate-as-portas-se-abrirem&amp;text=Morte%2C%20roubo%2C%20terra%20%C3%BAmida%3A%20Um%20caminho%20dif%C3%ADcil%20at%C3%A9%20%E2%80%98as%20portas%20se%20abrirem%E2%80%99%3A\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/sharing\/share-offsite\/?url=https%3A%2F%2Fcnabrasil.org.br%2Fnoticias%2Fmorte-roubo-terra-umida-um-caminho-dificil-ate-as-portas-se-abrirem\"><\/a><a href=\"https:\/\/api.whatsapp.com\/send?text=Morte%2C%20roubo%2C%20terra%20%C3%BAmida%3A%20Um%20caminho%20dif%C3%ADcil%20at%C3%A9%20%E2%80%98as%20portas%20se%20abrirem%E2%80%99%0D%0A%0D%0Ahttps%3A%2F%2Fcnabrasil.org.br%2Fnoticias%2Fmorte-roubo-terra-umida-um-caminho-dificil-ate-as-portas-se-abrirem\"><\/a><strong>Bras\u00edlia (03\/07\/2023) \u2013\u00a0<\/strong>A palavra desistir nunca fez parte do vocabul\u00e1rio de Maria dos Santos Borges. E motivos n\u00e3o faltaram. Solo encharcado, morte e roubo de animais, uma terra considerada improdutiva. Apesar de tudo que aconteceu, a produtora de leite nunca deixou de acreditar que a pecu\u00e1ria poderia transformar a propriedade em produtiva e rent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria \u00e9 filha de produtores rurais e foi criada na comunidade Figueirinha, em Balne\u00e1rio Gaivota, no extremo Sul catarinense. Ela enfrentou muitas dificuldades no in\u00edcio da jornada, mas, com a ajuda do Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), hoje \u201ctira o sustento\u201d da fam\u00edlia em uma terra que estava abandonada e, por muitos, era considerada improdutiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ter \u201cnascido na ro\u00e7a\u201d, a hist\u00f3ria de Maria como empreendedora rural s\u00f3 come\u00e7ou de fato em 2010 quando seu pai, Ala\u00f4r Rodrigues Santos, reuniu os filhos para dividir as propriedades. Na \u00e9poca, Maria e seu esposo Edivaldo Borges moravam em Santa Rosa do Sul (SC) e se viravam como podiam para sobreviver na cidade. Maria estava empregada em uma f\u00e1brica de biscoitos e Edivaldo trabalhava como motorista.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o foi uma \u00e9poca f\u00e1cil. Mesmo morando fora, eu sempre quis voltar para o campo. Quando o meu pai nos convocou para dividir as terras, enxerguei como uma oportunidade para realizar meu sonho\u201d, conta Maria.<\/p>\n\n\n\n<p>Na partilha, Maria ficou com uma \u201cterra parada\u201d, que estava sem produzir. \u201cO solo era muito \u00famido e estava tomado pela tiririca branca (planta invasora). Mas decidimos produzir assim mesmo\u201d, explica Edivaldo.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o de voltar ao campo para produzir exigiu uma s\u00e9rie de planejamentos. A primeira medida foi arrumar a casa da propriedade rural que, na \u00e9poca, n\u00e3o oferecia condi\u00e7\u00f5es para morar. \u201cTrabalhei todo o ano de 2011 para juntar dinheiro para a fia\u00e7\u00e3o el\u00e9trica e, assim, colocar energia na casa. Ent\u00e3o, na virada para 2012, decidi ir embora de Santa Rosa do Sul e morar na propriedade em Balne\u00e1rio Gaivota. Fiquei um ano e dois meses sozinha. Meu marido continuou na cidade para garantir nosso sustento\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cnabrasil.org.br\/storage\/arquivos\/MATERIA.jpg\" alt=\"imagem\" width=\"456\" height=\"304\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Com as economias da poupan\u00e7a e do seguro desemprego do antigo servi\u00e7o, Maria conseguiu comprar uma vaca holandesa que, na \u00e9poca, custava R$ 2,5 mil, mas o solo \u00famido e tomado pela tiririca da propriedade inviabilizava a constru\u00e7\u00e3o de um pasto para o animal. E para aliment\u00e1-lo, \u201ca gente ia atr\u00e1s de frutas na vizinhan\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com apenas uma vaca, Maria tinha o leite e ainda fazia queijo, habilidade que aprendeu desde pequena com a m\u00e3e. Mas tr\u00eas meses depois, o animal caiu em uma vala e morreu. \u201cN\u00e3o tinha o que fazer, s\u00f3 trabalhar para comprar outra\u201d, disse ela.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo animal do casal veio para a propriedade de uma forma inusitada. O marido de Maria tinha um dinheiro a receber do emprego na cidade. Mas como seu antigo patr\u00e3o passava por dificuldades, Edivaldo prop\u00f4s um acordo e levou uma vaca leiteira como pagamento. O animal foi colocado no pasto do sogro e, numa noite, foi a \u00fanica vaca roubada do rebanho.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a morte e roubo dos dois primeiros animais, Maria conta, emocionada, como a fam\u00edlia se uniu para ajud\u00e1-los. A m\u00e3e, dona Lurdes, fez um empr\u00e9stimo, a sogra tamb\u00e9m contribuiu e, com um pouco mais de economias, o casal conseguiu tr\u00eas vacas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Capim na moto \u2013&nbsp;<\/strong>At\u00e9 o Senar chegar, o casal se virava como podia para alimentar os tr\u00eas animais. \u201cQuando eu saia de moto, pegava dois sacos de capim na beira da estrada. Era assim que a gente alimentava as vacas. N\u00e3o tinha pasto\u201d. J\u00e1 para melhorar a acidez do solo, o casal enchia baldes de calc\u00e1rio e espalhava na terra.<\/p>\n\n\n\n<p>A vida na propriedade continuava dif\u00edcil e para completar a renda, nas temporadas de ver\u00e3o, Maria saia de bicicleta para trabalhar em um atacado de sorvete pr\u00f3ximo \u00e0 regi\u00e3o e ainda como costureira. \u201cAs tr\u00eas vacas estavam l\u00e1, a gente acordava de madrugada para tirar o leite. A terra ainda tinha muita umidade, era improdutiva, mas n\u00e3o perdemos a esperan\u00e7a de ter um pasto verde para os animais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Vizinhos e at\u00e9 familiares diziam que eles eram teimosos por insistir naquelas terras. \u201cMuitos duvidaram, diziam que nosso esfor\u00e7o n\u00e3o ia dar em nada. Mas n\u00e3o existe terra ruim, existe terra malcuidada\u201d, afirma Edivaldo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cnabrasil.org.br\/storage\/arquivos\/Maria-e-Edivaldo.jpg\" alt=\"imagem\" width=\"406\" height=\"269\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong>A chegada do Senar \u2013&nbsp;<\/strong>Como sempre teve vontade de aprender, Maria sabia que faltava alguma coisa. Em 2018 o casal ficou sabendo de uma reuni\u00e3o do Senar, no Sindicato Rural de Ararangu\u00e1, sobre a Assist\u00eancia T\u00e9cnica e Gerencial (ATeG).<\/p>\n\n\n\n<p>Maria n\u00e3o teve d\u00favidas. Era a chance para conseguir fazer a terra produzir, para o t\u00e3o sonhado \u201cpasto verde\u201d. No dia da reuni\u00e3o mais um imprevisto. O pneu da moto furou e ela conseguiu chegar s\u00f3 no final da reuni\u00e3o. \u201cPedi para que fosse atendida, ent\u00e3o marcaram uma visita do t\u00e9cnico na nossa propriedade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando cheguei, uma parte da terra estava tomada pela erva daninha, com poucos animais. Outra parte estava ro\u00e7ada e a an\u00e1lise de solo pronta. Mas o que existia de especial era a vontade, a determina\u00e7\u00e3o e a garra dos dois. Eles fariam qualquer coisa para a propriedade dar certo e isso ajudou muito\u201d, lembra o t\u00e9cnico do Senar Ricardo Nunes.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cnabrasil.org.br\/storage\/arquivos\/Maria-Borges.jpg\" alt=\"imagem\" width=\"440\" height=\"293\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Durante o atendimento, o t\u00e9cnico pediu para que Maria calculasse e registrasse a quantidade de leite di\u00e1rio. Na propriedade tamb\u00e9m come\u00e7aram os testes de v\u00e1rias mudas de pasto para saber qual produziria melhor naquele tipo de terra.<\/p>\n\n\n\n<p>A propriedade de Maria e Edivaldo recebeu atendimento da ATeG do Senar entre 2018 e 2022. Foi um \u201cdivisor de \u00e1guas\u201d. Os 10 litros de leite produzidos por dia chegaram a 100 litros com as orienta\u00e7\u00f5es do t\u00e9cnico Ricardo e com a ajuda de uma m\u00e1quina de ordenha adquirida pelo casal. Tudo isso os levou a se dedicar integralmente \u00e0 atividade no campo.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, o casal tem oito vacas e quatro \u2013 Flor, Agatha, Linda e Rosa Flor \u2013 em lacta\u00e7\u00e3o. Alguns dos nomes dos animais foram escolhidos pela filha Maria Eduarda, que j\u00e1 mostra aptid\u00e3o para as atividades no campo. \u201cJ\u00e1 sei tirar leite e quero ser veterin\u00e1ria\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A terra que um dia estava encharcada, al\u00e9m de ter muita acidez, hoje \u00e9 produtiva e conta com um pasto verde que alimenta o rebanho. \u201cMuitos disseram que o nosso esfor\u00e7o n\u00e3o ia dar em nada e hoje a gente vive disso. Em dois meses de atendimento, n\u00f3s j\u00e1 t\u00ednhamos comida para dar aos animais. Em seis meses, bastante pasto. Olhei pra Maria e disse: \u2018n\u00f3s vamos ficar aqui, porque aqui \u00e9 o nosso lugar\u2019. Vamos mostrar para quem n\u00e3o acreditou que a terra tem potencial. O Senar abriu as portas que a gente precisava\u201d, diz Edivaldo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que o Senar nos trouxe foi qualidade de vida. N\u00e3o cuidou s\u00f3 da terra, cuidou do nosso lado emocional, pessoal, do desenvolvimento social. Sem o Senar, estar\u00edamos trabalhando fora. Sem d\u00favida ele tem papel fundamental na realiza\u00e7\u00e3o de sonhos dos produtores rurais. Hoje tenho orgulho de onde cheguei e da mulher que me tornei\u201d, conta Maria emocionada.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o CNA<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conhe\u00e7a a hist\u00f3ria emocionante de Maria Borges, produtora de leite em Santa Catarina Bras\u00edlia (03\/07\/2023) \u2013\u00a0A palavra desistir nunca fez parte do vocabul\u00e1rio de Maria dos Santos Borges. E motivos n\u00e3o faltaram. Solo encharcado, morte e roubo de animais, uma terra considerada improdutiva. 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