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17 de Ago de 2020
 
PREJUÍZOS
Produtores rurais do Pantanal analisam impactos das queimadas na pecuária
 
Sindicato Rural de Poconé
 

Com as pastagens em chamas, pecuaristas do Pantanal falam em perdas incalculáveis pelas queimadas que atingem a região neste ano. O fogo já alcançou pequenas e grandes propriedades rurais em Mato Grosso, principalmente no município de Poconé, levando os produtores a analisarem os prejuízos que terão no futuro.

 

A preocupação do pantaneiro e biólogo Elson Gonçalves dos Santos, 49, é com a propriedade do irmão que foi atingida novamente pelo fogo, após levar cinco anos para se recuperar de outra queimada. “Você fica sem o capim e não consegue alimentar o gado. Sem a palhada, o rebanho emagrece e a produção cai. Até recuperar como era antes, leva muito tempo”.

 

De acordo com o produtor rural, um dos grandes problemas são as propriedades abandonadas na região. “Tem gente que compra terra no Pantanal e não cuida. A pastagem sem o tratamento adequado vai acumulando gases e, com a seca, entra em combustão naturalmente. Com isso, quem sofre são as propriedades vizinhas de gente que precisa e cuida do pasto e acaba sendo prejudicada”.

 

Na Fazenda São José, de Ricardo Arruda, não há mais cerca. “Felizmente, o gado não foi atingido, mas não tenho mais cerca para prender os animais. Corro o risco de eles sumirem e eu perder animal por conta da evasão. Agora vou ter que remanejar toda a fazenda para cercá-los novamente.”

 

Em Poconé, o Sindicato Rural é um dos articuladores do Comitê que reúne produtores rurais e autoridades do município envolvidos no combate às queimadas. De acordo com o presidente do Sindicato, Fábio Gomes, a sede da instituição é um dos polos para as discussões do plano de ação. “Estamos vivenciando a maior seca dos últimos 40 anos e criamos um comitê para analisar possibilidades de atuação com os órgãos públicos”.  

 

De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Santo Antônio do Leverger, Antônio Carlos Carvalho de Sousa, o maior inimigo é a baixa umidade. “A vegetação está muito seca, a umidade está baixa e qualquer faísca pode levar a uma queimada. O clima seco torna muito mais difícil de controlá-la”.

 

Capacitação – Todos os anos são ministrados treinamentos de combate ao fogo na lavoura e formação de brigada de incêndio, pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT).

Segundo o supervisor da Regional de Cuiabá da instituição, Natalino Márcio, neste ano foi adotada outra estratégia devido a impossibilidade de realização da reciclagem das capacitações. “A pandemia impactou diretamente nos treinamentos e não pudemos realizá-los, mas os sindicatos têm se reunido frequentemente com os produtores e repassado as orientações”.

 

Na visão do Corpo de Bombeiros do Estado de Mato Grosso, o produtor é um dos suportes no enfrentamento às queimadas. “Os produtores rurais nos dão apoio incondicional para a contenção de incêndios em vegetações e são os principais parceiros para promover ações de combate de incêndio no Estado”, afirmou o Comandante do Batalhão de Emergência Ambiental, tenente-coronel BM Gledson, durante live realizada no dia 29 de julho.

 



Fonte: Ascom Senar